Caso Merrill
Confirmado: corpo exumado é do americano
Laudo do IML de São Paulo comprova que cadáver enterrado como indigente era do compositor assassinado em São José
Alexandre Alves
São José dos Campos
Exame do Núcleo de Antropologia do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo confirmou que o cadáver exumado em Caçapava em 28 de setembro é do compositor norte-americano Raymond James Merrill, 56 anos, morto em São José dos Campos em 1º de abril. Por seis meses, ele foi considerado desaparecido.
O reconhecimento foi feito através da comparação da arcada dentária do cadáver com radiografias dos dentes de Merrill enviadas pela irmã do compositor, Marcia Sanchez, que mora nos Estados Unidos.
Dois médicos legistas e dois cirurgiões dentistas e peritos criminais do IML reconheceram nove coincidências e nenhuma discordância entre os exames, concluindo que o cadáver encontrado carbonizado numa estrada rural de Caçapava, em 2 de abril, é mesmo o do norte-americano. O laudo conclusivo do IML foi entregue à Delegacia Seccional de São José anteontem.
"Trata-se da comprovação da materialidade do crime. A vítima foi reconhecida", disse a delegada assistente da Seccional, Ana Paula Monteiro de Barros, que conduz as investigações.
Três pessoas foram indiciadas pelo assassinato de Merrill: Regina Filomena Crasovich Rachid, 41 anos --namorada da vítima--, Nelson Siqueira Neves, 38 anos, e Evandro Celso Augusto Ribeiro, 40 anos.
Apenas Neves continua foragido. Regina está presa na Cadeia Pública de Caçapava e Ribeiro, no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos. A polícia vai investigar a participação de outras pessoas no crime (leia texto nesta página).
DENTES - O laudo do IML, que será anexado aos sete volumes do inquérito policial (cada um com 200 páginas) sobre o caso, descreve o reconhecimento do cadáver de Merril a partir da identificação de obturações, próteses e restaurações realizadas na dentição do compositor, evidenciadas nas radiografias remetidas dos EUA.
As mesmas intervenções foram encontradas na mandíbula do cadáver exumado. Também o posicionamento das raízes e dos dentes contribuiu para a identificação do corpo.
Para os peritos do IML, as coincidências não deixam dúvidas quanto à identidade do cadáver. "Exame de confronto odonto-legal e a ausência de discordâncias entre os arcos dentários do crânio e a documentação odontológica [de Merrill] permitem indicar que o crânio periciado é de Raymond James Merrill", diz o laudo.
Com isso, segundo Ana Paula, não há mais necessidade de realizar exame de DNA no cadáver. Assinaram o laudo do IML os médicos legistas Mario Tsuchiya e Alessandra Pettoruti e os cirurgiões dentistas e peritos criminais Eduardo Gomes e Flávio Oliveira.
O CRIME - Merril desembarcou no Brasil em 21 de março para se encontrar com Regina, que conhecera pela Internet. Era a terceira vez, desde novembro do ano passado, que ele vinha a São José encontrar a namorada.
De acordo com a polícia, os três suspeitos --Regina, Ribeiro e Neves-- mantiveram o americano sedado por seis dias e o mataram enforcado com um fio de cobre, em 1º de abril. Na noite do mesmo dia, o corpo foi queimado e abandonado às margens da Estrada Municipal do Tataúba, em Caçapava.
Policiais militares encontraram o corpo carbonizado na manhã de 2 de abril. Sem reconhecimento, o cadáver foi enterrado como indigente em 5 de abril em um cemitério de Caçapava.
PRISÕES - Porém, duas prisões efetuadas pela Polícia Civil de São José mudaram o rumo da investigação. Em 2 de junho, Regina foi presa após roubar 3.000 Euros de um doleiro da cidade. Na bolsa dela, foi encontrado um cartão de banco de Merril, que estava desaparecido.
Durante as investigações, a polícia prendeu Ribeiro em Cabo Frio (RJ), em 22 de setembro, co-participante do roubo dos Euros e do assassinato do americano. Ele confessou ambos os crimes e indicou à polícia o local onde o cadáver de Merril foi deixado.
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