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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006
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Invadir não

Ocupar o Residencial Ipanema Ville, em Taubaté, no último final de semana, foi um grande ato de coragem de mais de 150 pessoas que, inconformados com a situação da falta de moradia, resolveram se organizar e lutar por sua casa própria, já que o poder público não dá uma resposta para esta demanda social que é urgente.

O que muito me estranha é que, ao citar as referidas famílias, os meios de comunicação referem-se de uma forma torpe aos cidadãos que tomaram esta atitude.

A ocupação ocorreu deforma tranquila e pacífica não ocorreu nenhum incidente, legitimando assim uma real ocupação.

Quando a imprensa fala do movimento por moradia ela trata o assunto como invasão. E invasores não somos, pois em nenhum momento usamos da violência para ter acesso às casas.

Os meios de comunicação deveriam ficar indignados com tantas desigualdades sociais apresentadas, tornando assim um aliado dos movimentos sociais e populares, que buscam reduzir a distância entre ricos e pobres. Devemos lembrar que o imóvel, em qualquer situação, desde seu planejamento, construção e venda, visa um caráter de desenvolvimento para a cidade e possui em sua essência uma função social, que é a moradia.

Quem está sofrendo com um conjunto de 62 casas abandonadas há mais de 8 anos, sendo destruído, usado para consumo e venda de drogas, prostituição, focos de reprodução de insetos e proliferando doenças a todos da região? O ideal é a construtora e os proprietários venderem os imóveis, a prefeitura arrecadar os impostos devidos e a população morar com dignidade e pagando pelo que um dia possa ser seu de fato.

É isto que querem os ocupantes do Residencial Ipanema Ville. Acredito que toda a sociedade taubateana espera bom senso por parte dos envolvidos (empreiteira, proprietário, prefeitura, Ministério Público e moradores). Que juntos encontrem uma forma de regularizar a situação dos ocupantes do Ipanema Ville.

Salvador Soares, presidente do PT em Taubaté

Sicofanta

Minha irmã, emérita professora aposentada, num domingo em que não foi ao bingo, sentada à beira da piscina da casa de sua filha Rose, nos narrava uma discussão política em mesa redonda da TV, em que, por duas vezes foi proferida a expressão sicofanta. Não sei se Torquato ou Mauro Chaves considerava o político Ciro Gomes um dos maiores sicofantas da política brasileira. Intrigada pela inusitada expressão, apelou para o Aurélio. Estava lá: "Sicofanta: pessoa mentirosa, caluniadora, impostora, patife, adulador, servil, interesseiro, parasita."

Caramba! Essa palavra tem cadeira cativa no cenário político brasileiro! O político sicofanta está presente no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, nas Assembléias Legislativas, Nas Câmaras, nas prefeituras nos governos estaduais, na Presidência da República e em todos os Ministérios.

Se os nobres sicofantas nos permitissem um aparte, sugeriríamos a criação nacional do Dia do Sicofanta.

Afinal, o sicofanta é tenaz na perseverança; é garantido pela impunidade; é rico; é poderoso; está acima da lei, da justiça e de todos nós. No Dia do Sicofanta todos eles poderiam se vestir de dourado, com lantejoulas reluzentes, com penas de aves raras, com direito a palanque, carro oficial, assessores de todas as marcas e raças, microfones com tempo ilimitado, viagens aéreas (sem atraso), dólares nas cuecas, mensalinhos e mensalões.

A urna eletrônica é um engenho que permite a imediata divulgação dos resultados eleitorais e deixa o mundo inteiro boquiaberto com sua genialidade. Ela foi criada e concebida em São José dos Campos, terra da sabedoria. Pena que ela não possa fazer assepsia de seus resultados. Não pode fazer manipulações a favor do bem. Não pode consertar a inversão de valores, nem fazer prevalecer a justiça e a verdade. Eleições após eleições, as urnas fazem predominar os sicofantas. E o cordão dos sicofantas cada vez aumenta mais.

Para atingirmos a um esmero organizacional, poderíamos idealizar uma enciclopédia sicofântica, catalogando todas as espécies em atividade. Para tanto, o valeparaibano, com seu poder de penetração, poderia lançar um concurso no qual seus leitores indicariam todos os sicofantas conhecidos. Certamente teríamos uma lista interminável que lotaria 20, 30 ou 50 volumes, com divisões catalogadas: por idade, por tamanho, por obesidade, por tempo na política, por eleições ganhas, por mandatos cumpridos e compridos, por processos arquivados, por número de aspones, enfim, tudo o que possa mostrar a grandiosidade da maior quadrilha do mundo.

Felipe Cury, São José dos Campos

Ônibus na Zona Sul

Gostaria de solicitar melhorias na linha 308, do Bosque dos Eucaliptos, zona sul de São José, que na verdade não pertence mais ao Bosque e sim a outros bairros da zona sul. A linha acabou virando um corredor de acesso, somente deixando os moradores do Bosque nos pontos, sem uma linha que realmente atenda ao bairro. Tanto no sentido bairro-centro como o inverso, o ônibus sempre está cheio quando passa pelo Bosque, pois a maioria das pessoas não vai ficar no Bosque.

Ana Lúcia Silva, São José dos Campos

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