Tributos Municipais
Mercado imobiliário teme novo valor de imposto em São José
Aumento do IPTU por conta da revisão da planta genérica pode desestimular negócios no setor
São José dos Campos
A revisão da Planta Genérica de Valores e o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial e Urbano) em 85% dos 165.041 imóveis de São José dos Campos podem afetar o mercado imobiliário.
A avaliação é de corretores e proprietários de imobiliárias, que temem queda no movimento de vendas e locações de imóveis.
De acordo com a proposta apresentada pelo governo tucano na última sexta-feira e que deve ser encaminhada à Câmara nos próximos dias, 66%
das construções terão reajuste na faixa até R$ 50. Outros 17.467, 11% do total, terão aumento entre R$ 50 a R$ 100 e 14.048 dos imóveis (8%) pagarão acima de R$ 100 de aumento de tributo.
Por outro lado, a administração prevê que 24.143 imóveis urbanos (14,63%) terão redução no valor do IPTU ou estão dentro da faixa de isenção -- caso de imóveis cujo valor venal não ultrapasse R$ 25 mil.
A proposta também prevê o reajuste de mais de 1.000% no valor venal de terrenos, como no caso do Urbanova, que saltará de R$ 19 o metro quadrado para R$ 200.
Para contrabalançar o reajuste do valor venal, foram diminuídas as alíquotas utilizadas no cálculo do IPTU. Mesmo se aprovado este ano, os novos valores só serão aplicados em 2008, segundo a prefeitura.
FREIO - Na opinião do corretor Roberto Villani, que atua no mercado de São José há 20 anos, o aumento da carga tributária pode frear os negócios na cidade.
"Somos a favor da atualização da Planta Genérica, mas contra qualquer tipo de aumento no tributo pois vai refletir negativamente no mercado", disse Villani.
Para o corretor, as isenções até R$ 25 mil vão beneficiar poucos imóveis. "Hoje, uma casa simples no Jardim Santa Inês 3 ou um lote com uma edícula já valem mais que isso."
Além do IPTU, as correções terão reflexo direto no ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), recolhido nas transações de compra e venda. Em São José, a atual alíquota do imposto é de 3%. A prefeitura propõe a redução para 2%, além de isentar imóveis com valor venal até R$ 50 mil.
Na opinião dos profissionais, o eventual reajuste do valor do IPTU também poderia comprometer o mercado de locações, já que cabe ao inquilino o pagamento do imposto.
REIVINDICAÇÕES -A presidente da Asseivap (Associação das Empresas Imobiliárias do Vale do Paraíba), Sueli Marques, afirmou que a entidade vai fazer uma reunião hoje para avaliar os impactos da proposta.
Para Sueli, os efeitos da revisão poderão ser minimizados se acatadas algumas reivindicações da categoria, como a ampliação de mecanismos de isenção e outros benefícios e queda nas taxas de cartório e emolumentos.
"Estamos apoiando a revisão da Planta Genérica, mas com responsabilidade. Não acredito em interferência no mercado desde que garantidas algumas reivindicações", afirmou.
A delegada municipal do Creci (Conselho Regional de Imóveis), Maria Almeida, disse que a realização de audiências públicas será fundamental para esclarecer as dúvidas. "A população tem direito de opinar", afirmou.
O secretário da Fazenda, José Liberato Júnior, não acredita em prejuízo para o setor imobiliário. "As transações são feitas pelo valor de mercado. Para minimizar os efeitos do ITBI, propomos diversos mecanismos para ampliar o desconto", disse.
"As transações são feitas pelo valor de mercado. Para minimizar os efeitos do ITBI, propomos diversos mecanismos para ampliar o desconto."
Do secretário da Fazenda, José Liberato Júnior
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