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Protesto tira tachões da Marginal da Dutra
Sindicalistas usam marretas para destruir obstáculos no acesso à rodovia; manifestação termina com prisão
Cláudio César de Souza
São José dos Campos
Um protesto comandado ontem pelo Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba terminou com a prisão do presidente da entidade, José Carlos de Souza, e com a remoção de metade dos tachões implantados no acesso à via Dutra, próximo ao viaduto da Vista Verde, na zona leste de São José.
A NovaDutra, concessionária da rodovia, informou no início da noite, por meio da assessoria, que recolocará hoje os tachões (pequenos blocos retangulares na pista).
Já o secretário de Transportes, Alfredo de Freitas Almeida, disse que o governo de Eduardo Cury (PSDB) vai acionar a NovaDutra na Justiça para garantir a retirada dos obstáculos (leia texto nesta página).
Desde o feriado de Corpus Christi, quando os tachões foram implantados na marginal de acesso ao km 144 do sentido Rio-São Paulo da Dutra, a prefeitura 'declarou guerra' à concessionária por ter feito a intervenção sem aviso prévio no trecho.
A medida foi adotada pela empresa a pedido da Polícia Rodoviária Federal e pegou de surpresa os motoristas que passam pelo acesso todos os dias. Os obstáculos têm gerado congestionamentos de cerca de 300 metros no local em horários de pico.
PROTESTO - O protesto teve início às 7h14, quando 13 sindicalistas chegaram à marginal da Dutra em um carro-de-som da entidade e munidos de duas marretas.
Eles se revezaram no uso das ferramentas e, em meia hora, removeram a primeira fileira de tachões. As 7h50, quando começavam a retirada do segundo bloco, seis policiais rodoviários federais chegaram armados ao local e impediram a continuidade do trabalho.
Observados por 10 policiais militares, que davam apoio à ação da Polícia Rodoviária Federal, sindicalistas e policiais rodoviários passaram a discutir e trocar empurrões (veja quadro abaixo).
PRISÃO - Souza foi preso por quatro policiais rodoviários às 8h13, no momento em que concedia entrevista a uma emissora de rádio, sendo encaminhado à sede da Polícia Federal no Jardim Satélite, na zona sul da cidade.
Ele permaneceu no local até as 13h e só foi liberado após prestar depoimento à delegada federal Graziela Zanini e pagar fiança de R$ 750. Também foram ouvidos três policiais rodoviários que participaram da prisão do sindicalista.
INDIGNAÇÃO - Souza foi indiciado pelos crimes de desacato à autoridade, dano ao patrimônio público e resistência à prisão, que somados possuem pena de 5 anos de detenção e multa.
"Vou encaminhar os depoimentos à Procuradoria da República em São José, que decidirá se o sindicalista será ou não processado", disse a delegada.
Após deixar a sede da Polícia Federal, Souza demonstrou indignação com seu indiciamento.
"Fui acusado de três crimes que não cometi, mas confio na Justiça para ser absolvido. O único crime que cometi foi defender a população contra essa atitude absurda da NovaDutra, que só prejudicou os moradores e trabalhadores da cidade", afirmou o sindicalista.
Segundo ele, se os tachões forem recolocados no local a entidade promoverá novos atos públicos. "Retiramos os tachões porque recebemos em três dias mais de 20 mil ligações de moradores indignados com a colocação dos obstáculos."
RESSARCIMENTO - O chefe de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal de São José, inspetor Normildo Bento de Oliveira, informou que o sindicato terá que ressarcir os danos causados ao patrimônio público.
"Implantamos os tachões para impedir acidentes e esperamos que o material seja recolocado até amanhã (hoje). A ação dos sindicalistas foi populesca e eles terão que pagar pelo prejuízo que causaram."
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