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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005
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Reforma Agrária

MST deixa fazenda Corumirim e invade nova área da Votorantim em Tremembé

Com medo de ação da PM, grupo de 60 famílias muda acampamento e protesta contra impasse na desapropriação de terras

Max Ramon
Tremembé

Depois de mais de um mês de impasse, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) desocupou na manhã de ontem a fazenda Corumirim, propriedade da VCP (Votorantim Celulose e Papel) localizada às margens da rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, em Tremembé.

Minutos depois de deixar a área, as 60 famílias de sem-terra invadiram uma nova fazenda da VCP: a São José, situada a 15 quilômetros da Corumirim.

O antigo acampamento foi desocupado pelo MST por volta das 6h em meio aos rumores de uma possível intervenção da Polícia Militar no local --a reintegração da área havia sido concedida à VCP no final de janeiro por determinação da juíza da 4ª Vara Distrital de Tremembé, Cláudia Novellino Balestero.

Em tom de protesto, os sem-terra invadiram a fazenda São José com faixas e cartazes do movimento. Com 214 hectares, a nova propriedade fica em uma área onde também estão situadas outras duas fazendas da empresa: a Campo Alegre e a Tanque Verde (juntas, as três somam mais de 830 hectares de terras).

"De alguma forma, teríamos que sair da Corumirim. Já que não podemos ficar lá, invadiremos outras áreas da VCP na região. Inclusive, a própria fábrica da empresa [em Jacareí] poderá ser ocupada", afirmou o sem-terra Valdemir Nascimento, um dos líderes do MST no Vale do Paraíba.

Atualmente, a VCP possui mais de 30 mil hectares de plantações de eucalipto em toda a região. Ontem, a empresa informou que a empresa deverá pedir à Justiça, até o final da semana, a reintegração da fazenda São José (leia texto nesta página).

NOVELA- O embate entre o MST e a VCP teve início no dia 7 de janeiro, quando as 60 famílias sem-terra invadiram a Corumirim --a quarta ocupação da área em apenas dois anos.

Dias antes, no final de dezembro, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia autorizado a desapropriação da fazenda para fins de reforma agrária. Hoje, o Vale conta com apenas dois assentamentos: o Nova Esperança, em São José dos Campos, e o Conquista, em Tremembé.

"Se a decisão de uma juíza tem mais valor que um decreto presidencial, alguma coisa está errada. De qualquer forma, não abriremos mão da Corumirim. Já estamos lutando por ela há dois anos e encontraremos várias formas de resistência", afirmou Nascimento.

Segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o processo de desapropriação da Corumirim será baseado em um laudo elaborado por técnicos do governo federal em 2002, época em que a fazenda ainda pertencia ao grupo Walor Investimentos. Na ocasião, a área foi considerada improdutiva.

Agora, a Corumirim deverá passar por uma vistoria de avaliação que determinará o valor da propriedade. Ontem, a assessoria de imprensa do Incra informou que a análise de campo ocorrerá em 60 dias.

O processo de desapropriação da área, no entanto, ainda poderá durar mais dois anos até a imissão de posse --procedimento judicial que autorizará a ocupação da área pelas famílias sem-terra contempladas pelo governo federal.

Clarice Santos/VP
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