Mudança de Rumo
Sindicato dos Químicos aprova, por unanimidade, saída da CUT
Diretoria decide pela desfiliação da central e vai apresentar proposta à categoria
Marcelo Claret
São José dos Campos
O Sindicato dos Químicos do Vale do Paraíba, em reunião da diretoria, aprovou por unanimidade a desfiliação da entidade com a CUT (Central Única dos Trabalhadores).
É o terceiro sindicato da região a adotar a medida. No ano passado, os sindicatos dos Metalúrgicos de São José e o da Alimentação já haviam se desvinculado da central.
O Sindicato dos Químicos realiza em abril um plebiscito para que os trabalhadores votem a proposta, aprovada na última quarta-feira pelos 34 diretores do sindicato. A categoria tem 9.000 empregados no Vale.
Se aprovada, a direção do sindicato estima homologar a desfiliação até julho. No entanto, a entidade já não faz o repasse da mensalidade de R$ 8.000 para a CUT há três meses.
O diretor do sindicato Wellington Cabral disse que a desfiliação é necessária porque a CUT "virou um braço" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O rumo que a CUT tomou contradiz o que deseja a classe. A CUT não tem feito nada em prol dos trabalhadores", disse Cabral, que negou que a desvinculação é uma iniciativa partidária.
Dos 34 diretores do Sindicato dos Químicos, segundo a própria entidade, 70% são filiados ao PSOL e o restante --30%-- ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados), que fazem oposição ao PT.
Segundo ele, o processo de discussão da desfiliação dos sindicatos da região se deu quando a CUT apoiou as reformas trabalhista, universitária e sindical articuladas pelo governo federal.
Até abril, Cabral afirmou que o sindicato fará assembléias nas portas das fábricas da região para explicar aos trabalhadores porque a entidade defende a desfiliação.
OUTRO LADO - O presidente nacional da CUT, Luiz Marinho, não comentou o assunto quando procurado na tarde de ontem pelo ValeParaibano para falar sobre a desfiliação.
O coordenador nacional da CNQ (Confederação Nacional dos Químicos) da CUT, Aparecido Donizete da Silva, classificou como "partidária" a decisão do sindicato.
"Acredito que a desfiliação não seja a melhor opção. Acho essa medida precipitada. Não podemos esfacelar, repartir para mudar alguma coisa. Isso só vai dar mais força para a elite, que sempre governou o país", disse.
Silva afirmou que a CUT também não concorda com a política econômica do governo federal, que é atrelada à inflação. "Mas não é dividindo, perdendo força que vamos conseguir mudar a situação", disse.
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