Sinal de Alerta
O ValeParaibano iniciou no último domingo uma série de reportagens sobre a delicada relação existente entre adolescentes e bebidas alcoólicas.
Levantamento feito pelo jornalista Guilherme Busch com 100 estudantes de seis escolas de São José --três particulares e três estaduais-- revelou que 92% dos jovens entre 11 a 17 anos já experimentaram bebidas alcoólicas, dos quais 58% começaram a beber antes dos 12 anos. O levantamento não tem o rigor científico de uma pesquisa formal, mas serve de indicativo para um problema cada vez mais presente na sociedade. Com um agravante: a bebida, sem controle, é a porta de entrada dos adolescentes no mundo das drogas, alerta a psicóloga Edna Tralli, ouvida pelo ValeParaibano.
A relação adolescentes-bebidas alcoólicas é delicada.
Existe um dado cultural a respeito da bebida, consumida pelo ser humano desde os primórdios da civilização. Até certo ponto, ela pode representar um hábito saudável. Pesquisas médicas indicam, por exemplo, que o vinho tinto, consumido com parcimônia, ajudaria a prevenir problemas de coração e de circulação. Há também o aspecto alegre, prazeroso da ingestão da bebida alcoólica, seja ela uma cerveja gelada, uma dose de uísque ou uma taça de vinho tinto. O consumo da bebida, no entanto, esbarra no controle que o indivíduo tem sobre o hábito de beber: até onde ele é prazer, a partir de onde ele é prejudicial à saúde? Essa questão é fundamental na discussão sobre o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes: saberá o adolescente a hora de certa de experimentar, ou, mais grave, a hora certa de parar?
A pergunta ganha importância quando constatado que os mecanismos oficiais existentes para inibir o contato adolescente-álcool não funcionam a contento. A fiscalização em bares, restaurantes, boates e supermercados na cidade praticamente não existe. Com isso, ganha em importância a posição da família nessa equação. O ritual de passagem da adolescência é quase sempre difícil e precisa ser acompanhado com atenção pelos pais. Acelerá-lo ou retardá-lo representam sempre perigo.
Com a série de reportagens, o ValeParaibano quer colocar em debate um assunto delicado, pessoal e preocupante.
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