| Cai na Unitau
A via crúcis do corpo, de Clarice Lispector
Por Darci de Souza Baptista, professor de literatura e gramática do Nova Geração Vestibulares
São treze contos que a autora aceitou escrever sob encomenda de sua editora na época. No prefácio à obra, Clarice explica que o fez por dinheiro e chega a admitir que pensou em usar um pseudônimo; defende a chamada "literatura comercial", pois, segundo ela, existe hora até "para o lixo".
Como o teor de todos os contos é erótico, a autora parecia assim querer justificar-se perante seu público leitor. Na verdade, o estilo de Clarice não sofre qualquer prejuízo, pois mantém suas qualidades: a análise profunda do universo feminino, a introspecção psicológica e o fluxo de consciência das personagens, a percepção do metafísico nas cenas mais banais do cotidiano.
Três contos destacam-se por apresentarem uma estrutura mais parecida com a da crônica: "O homem que apareceu", "Por enquanto" e "Dia após dia". Nos demais, o estilo é mais denso, ainda que permita a ironia e o humor; é o caso de "Ruído de Passos", cuja protagonista, D. Cândida Raposo, de 81 anos, vai ao ginecologista para tratar de seu problema: não sabe o que fazer com seu desejo de prazer, que nunca passa.
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