| Cai na Unitau
Um Homem Sem Profissão Sob as Ordens de Mamãe, de Oswald de Andrade
Por Darci de Souza Baptista, professor de literatura e gramática do Nova Geração Vestibulares
Esta autobiografia, ainda que não concluída, foi publicada pela primeira vez pouco antes da morte de seu autor, em outubro de 1954. O título é auto-irônico, pois nos seus últimos anos de vida Oswald teve um emprego regular (foi professor de filosofia na USP); o homem sem profissão foi, na verdade, o Oswald jovem, entre as décadas de 1910 e 1920, quando se integrou ao grupo de artistas e intelectuais paulistas que incluía Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Menotti del Picchia e que seria responsável pelo advento do Modernismo no Brasil.
O subtítulo "Sob as Ordens de Mamãe" foi incorporado recentemente, numa reedição de 2002 com supervisão do estudioso Jorge Schwartz. Em suas memórias, Oswald relata cenas típicas da cidade de São Paulo no início do século 20, como a inauguração da primeira linha de bondes elétricos da cidade em 1900, presenciada por ele quando era criança, ou a presença dos imigrantes italianos no cotidiano paulistano (o estilo leve e coloquial, próximo da crônica, chega a parecer-se com o de Antônio Alcântara Machado em Brás, Bexiga e Barra Funda).
Oswald inclui também seu relato pessoal acerca da Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910: sob o olhar do escritor, o fato histórico ganha contornos cinematográficos.
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