Casd Dicas
Dicas da equipe de professores do curso Casd Vestibulares
Inglês
Por Carina Yumi Furusho (professora de inglês do CasDVest)
A gramática da língua inglesa guarda uma série de detalhes e exceções que são tópicos bastante explorados nas provas de vestibular. Os exemplos a seguir tentam ilustrar os erros mais cometidos e atentá-los para os principais problemas que podem surgir ao estudar inglês.
O primeiro exemplo é clássico, pela sutileza do equívoco que se comete no uso da inversão da ordem dos termos quando se trata de uma pergunta.
Exemplo 1
Wrong: Eleanor asked what books did I buy yesterday.
Correction: Eleanor asked what books I bought yesterday.
A inversão só é usada na formulação de perguntas. No caso de relatar uma conversa -- "reported speech" -- a ordem dos termos permanece na mesma ordem utilizada na afirmação.
A tradução fornecida por dicionários nem sempre indica que o termo em inglês pode ser usado exatamente nas mesmas situações em que se usa o termo correspondente em português.
Exemplo 2
Wrong: Tom knows to swim well.
Correction: Tom knows how to swim. (or: Tom can swim well.)
Apesar da tradução do verbo "to know" seja "saber", nem sempre pode se empregar o verbo da mesma forma.
O próximo exemplo retrata bem como é fácil se confundir quando se decoram muitas regras gramaticais.
Exemplo 3
Wrong: Her kid can speaks English well.
Correction: Her kid can speak English well. (or: Her kid speaks English well.)
Com o emprego do verbo auxiliar, não se adiciona o "s" no verbo, mesmo quando se refere às pessoas "she", "he" ou "it" no presente.
Verbos com grafia semelhante nos diferentes tempos verbais são facilmente confundidos.
Exemplo 4
Wrong: Kimberly now lays in her bed.
Correction: Kimberly now lies in her bed
Mais um exemplo de que não se deve traduzir uma sentença em português termo a termo para o inglês.
Exemplo 5
Wrong: He says he is not afraid of nobody.
Correction: He says he is not afraid of anybody. (or: He says he is afraid of nobody)
Não se usa dupla negação no inglês, como fazemos em português.
Agora você já pode enfrentar estas questões de vestibular sem dificuldades:
1. (ITA) He Said he had never met _______who could speak Arabic.
a) nobody c) person e) somebody
b) anybody d) no person
2. (Santa Casa) She was told she could _____an operation known as arthroscopy.
a) undergo c) undergoes e) underwent
b) to undergo d) undergoing
3.(VUNESP) Can you tell me where _____ my bike yesterday?
a) did you leave c) you left e) did you left
b) youi leaved d) you have left
4. (ITA) His body _____in the cemetery.
a) lays c) lies e) lied
b) laid d) lain
Respostas: 1.(b), 2.(a), 3.(c), 4.(c)
Vocês já tiveram a curiosidade de entender a presença do apóstrofo (') nos nomes americanos das lojas espalhadas pelas ruas, especialmente em lanchonetes?
McDonald's e Bob's são exemplos clássicos, mas há diversos exemplos de lojas brasileiras que adotam nomes baseados nessa forma da língua inglesa de se indicar posse.
Trata-se do caso genitivo, "The Genitive Case", que além do sentido de posse, representa também relação de parentesco, autoria etc.
Como esta estrutura é muito diferente daquela que estamos habituados a utilizar, as peculiaridades deste tópico costumam ser freqüentemente cobradas nas provas de vestibular.
Os exemplos a seguir devem esclarecer as formas básicas de se usar o caso genitivo.
Exemplo 1
Português: A irmã de Celine está cuidando dos filhotes de seu cachorro.
Inglês: Celine's sister is taking care of her dog's puppies.
Um erro muito cometido é traduzir a frase em questão palavra a palavra:
Errado: "The sister of Celine is taking care of the puppies of her dog."
Exemplo 2
Em português: Os pés da mesa.
Em inglês: The legs of the chair.
O elemento que recebe 's ou ' deve ser pessoa ou animal, e não um objeto como é o caso da mesa.
Exemplo 3
Em português: Maria foi à padaria e depois para a casa do Leo.
Em inglês: Maria went to the baker's and after that she went to Leo's.
Substantivos como "house" (casa), "home" (lar), "shop", "store" (loja), "office" (consultório), podem ser omitidos quando se usa o caso genitivo.
Exemplo 4
Em português: Os olhos do meu cunhado são azuis.
Em inglês: My brother-in-law's eyes are blue.
Os substantivos compostos recebem 's ou ' na última palavra.
Exemplo 5
Em português: Os livros dos alunos estão velhos demais.
Em inglês: The students'books are too old.
Os substantivos plurais terminados em s, são acompanhados somente pelo apóstrofo.
O mesmo acontece para nomes famosos que terminam em s, como Hercules, Jesus etc.
Exemplo 6
Em português: Esta parte do livro fala da força de Hércules.
Em inglês: This part of the book talks about Hercules' strength.
Casos especiais:
1- Mais que um possuidor para um só elemento:
somente ao último deve ser adicionado ' ou 's.
Exemplo
Lucy and Mary's father. -- Lucy e Mary são irmãs
2- Mais que um possuidor para diferentes elementos possuídos:
Ambos recebem ' ou 's.
Exemplo
Lucy's and Mary's fathers talked for a long time. -- Neste caso, elas nãoi são irmãs.
3- Quando se refere, mais de uma vez, na mesma seqüência a apenas um elemento possuído, ele pode ser omitido na segunda vez, empregando-se somente 's ou '.
Exemplo:
Whose computer is this?
It's Tony's.
Tente agora resolver estas questões de vestibular, lembrando-se das regras que foram apresentadas.
1- (MACK) Which is the correct form?
a) My sister-in-law's children are naughty.
b) The children of my sister-in-law are naughty.
c) My sister-in-law children's are naughty.
d) The mine sister-in-law's children are naughty.
e) My sister's-in-law children are naughty.
2- (Santa Casa) I can't believe you've forgotten to go to_____
a) Your mother-in-law funeral's.
b) Your mother-in-law's funeral.
c) Your mother's-in-law funeral.
d) Your mother's-in-law's funeral.
e) Your's mother-in-law funeral.
3- (FCC) He was always driven to school in...
a) the car my father's
b) the car my father
c) my father car
d) my father's car
e) the car's my father
4- (PUC) How long does it take from here to that farm?
a) A day's journey.
b) A day journey.
c) A day's journey's.
d) A day journey's.
e) A day journeys'.
5. (OSEC) ...teacher is very handsome.
a) Mary's and Jane
b) Mary's and Jane's
c) Mary and Jane
d) Mary and Jane's
a) Of Mary's and Jane's
Respostas: 1.(a), 2.(b), 3.(d), 4.(a), 5.(d)
Atualidades
Por Julio César Moura (professor de história do Casd Vest)
Yasser Arafat e os conflitos entre árabes e israelenses
Um assunto bastante divulgado na mídia recentemente foi a morte do líder palestino Yasser Arafat. Para entender a importância histórica deste personagem precisamos conhecer a história do conflito entre árabes e israelenses.
Os conflitos entre árabes e israelenses, como o mundo os vê hoje, começaram com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Até 1917, a Palestina possuía 26 mil quilômetros quadrados, uma população de 1 milhão de palestinos e 100 mil judeus e ainda se encontrava sob o domínio do Império Turco. Com a derrota dos turcos no conflito mundial, a Palestina passou para o domínio da Inglaterra. Esta se comprometeu a favorecer a criação de um "lar nacional" para os judeus na Palestina e abriu a região à emigração judaica, organizada pelo movimento sionista.
Em 1947, quando a ONU (então presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha) aprovou um plano de divisão da Palestina, esta possuía uma população de 1 milhão e 300 mil palestinos e 600 mil judeus. Pelo projeto da ONU, eles seriam divididos em dois Estados: um judeu (com 57% da área) e um palestino (com 43% da área). A proposta foi rechaçada pelos países árabes.
No ano seguinte, chegou ao final o acordo que concedia aos britânicos o domínio sobre a Palestina. Assim que as tropas inglesas se retiraram, foi proclamada a criação do Estado de Israel. O não reconhecimento do novo Estado pela Liga Árabe (Egito, Síria, Líbano, Jordânia) foi o estopim da Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948-1949). O conflito foi vencido pelos judeus que estenderam seus domínios por uma área de 20 mil quilômetros quadrados (75% da superfície da Palestina). O território restante foi ocupado pela Jordânia (anexou a Cisjordânia) e Egito (ocupou a Faixa de Gaza).
A guerra ocasionou a fuga de 900 mil palestinos das áreas incorporadas por Israel. Esse fato gerou o principal ponto do conflito entre árabes e israelenses: a Questão Palestina. Em 1956 explodiu a Segunda Guerra Árabe-Israelense, também conhecida como Guerra do Suez. O motivo foram os choques na fronteira Egito/Israel e a nacionalização do Canal de Suez pelos egípcios. Israel, apoiada pela França e Inglaterra, atacou o Egito e conquistou a península do Sinai. A pressão dos Estados Unidos e União Soviética fez com que os judeus abandonassem o Sinai e recuassem até a fronteira de 1949. A península foi ocupada por uma força de paz da ONU -- o exército brasileiro tomou parte desta força.
O conflito após Arafat
Arafat adentra a adolescência assistindo à acelerada imigração judaica para a Palestina, com as perseguições movidas contra os judeus na Europa pela Alemanha nazista. O confronto entre os dois povos torna-se a cada dia mais intensos. Os judeus formam os grupos armados sionistas, cuja bandeira é promover o retorno à terra bíblica de Israel. Os palestinos também se armam, para lutar tanto contra os colonos judeus como contra o domínio britânico.
Aos 17 anos, o jovem Arafat incorpora-se aos grupos armados palestinos, contrabandeando armas e munições. Dois anos mais tarde, quando irrompe a Guerra Árabe-Israelense, que se seguiu à Partilha da Palestina e, conseqüentemente, a fundação do Estado de Israel em 1948, abandona os estudos para combater na Faixa de Gaza ao lado irmão e do pai.
Os árabes são derrotados. Um milhão de palestinos refugiam-se em países árabes vizinhos e Arafat volta ao Cairo. Lá, retorna à faculdade de engenharia, onde se torna líder estudantil. Em 1952 entra na Irmandade Muçulmana e na União dos Estudantes Palestinos, da qual vira presidente.
No mesmo ano em que se forma, em 1956, Arafat participa da campanha de Suez, quando o então presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, ocupa o canal -- na época propriedade conjunta da Grã-Bretanha e França.
Guerra dos Seis Dias
Em 1958, vivendo no Kuwait, Arafat funda a Al-Fatah, uma rede de células subversivas que, em 1959, passa a defender publicamente um levante armado contra Israel. Al-Fatah lança vários ataques a Israel e transforma a causa dos refugiados palestinos na questão central do conflito entre as nações árabes e os israelenses.
No mesmo ano em que Arafat deixa o Kuwait, em 1964, dirigentes palestinos ligados ao líder egípcio fundam, no Cairo, a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), com o fim de estabelecer um Estado Palestino.
Com esse objetivo, a OLP iniciou uma ação de guerrilha contra Israel para retomar os seus territórios ocupados. Em 1967, com a retirada das tropas da ONU da fronteira Egito/Israel, teve início a Terceira Guerra Árabe-Israelense, conhecida como Guerra dos Seis Dias. Mais uma vez, Israel saiu vitoriosa sobre os países árabes (Egito, Síria e Jordânia) e ocupou a faixa de Gaza, a península do Sinai (do Egito), as planícies de Golan (da Síria) e a Cisjordânia (da Jordânia). O êxodo palestino aumentou com mais essa conquista de Israel e alcançou, em 1968, 1 milhão e 600 mil refugiados.
A Guerra do Ramadã
Em 1973, Egito e Síria realizaram um ataque simultâneo contra Israel na data religiosa conhecida como Dia do Perdão (Yom Kippur para os judeus e Ramadã para os árabes). Os árabes reconquistaram a margem oriental do Canal de Suez. A Guerra do Yom Kippur (ou Ramadã), como ficou conhecida a Quarta Guerra Árabe-Israelense terminou com uma intervenção dos Estados Unidos. Em 1979, Egito e Israel estabeleceram um acordo de paz. Mas a violência na área seguiu entre OLP e Israel. Vários grupos israelenses e palestinos praticaram atentados contra seus "inimigos". Muita gente inocente morreu.
Negociações
Em 1993, após seis meses de negociações, Israel e a OLP chegaram a um primeiro acordo, a princípio sobre uma autonomia palestina transitória. Foi nos EUA que ocorreu o histórico aperto de mãos entre o primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin e o chefe da OLP, Yasser Arafat. Em 1994, Arafat, que sobrevivera a mais de 50 tentativas de assassinato, o então premier israelense Itzhak Rabin e o então chanceler de Israel Shimon Peres dividem o Prêmio Nobel da Paz. Em 1995, Itzhak Rabin foi assassinado por um direitista judeu indignado com o acordo com os palestinos. Com a posse de Benjamin Netanyahu como líder de Israel as negociações esfriaram e a violência retornou com mais força. No dia 12 de julho de 2000 iniciou-se, em Camp David, (o mesmo lugar do acordo de 1979 entre Israel e Egito), nos EUA, mais uma série de negociações entre o primeiro-ministro israelense Ehud Barak e Yasser Arafat.
Clinton faz mais uma tentativa para salvar a paz, a meio ano do fim de seu mandato, em 2000, ao reunir em Camp David o palestino Arafat e o então primeiro-ministro israelense Ehud Barak. As partes não chegaram a um acordo sobre a cidade de Jerusalém e a proposta de retorno dos refugiados palestinos ao território israelense é rejeitada.
Com a frustração causada pelo fracasso das negociações, minadas ainda por grupos palestinos extremistas e pela ascensão do conservador Ariel Sharon ao poder em Israel e do presidente George W. Bush nos EUA, a autoridade de Arafat se enfraquece. Acentua-se a onda de violência entre palestinos e israelenses.
Confinamento e Morte
Acusando Arafat de conivência com atentados suicidas contra civis israelenses e pelo fracasso do premier Mahmud Abbas em desarmar os movimentos extremistas palestinos (Abbas, que acaba renunciando, por sua vez, culpa a política de "assassinatos seletivos" de Israel pelo banho de sangue que não cessa), Bush e Sharon declararam que o líder histórico dos palestinos não era um "parceiro para a paz", isolando-o das negociações. Já que os EUA vetam sua morte, Israel mantém Arafat em prisão domiciliar num semidestruído complexo de edifícios: a sede da Autoridade Palestina, a Muqtada, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
Arafat é confinado a Ramallah de dezembro de 2001 a outubro de 2004, quando, por graves problemas de saúde, é autorizado a sair de Israel para tratamento médico no exterior. Em meio a fortes medidas de segurança e aclamado por multidões, é levado dia 29 de outubro a um hospital militar em Paris, na França. Sua morte chegou a ser anunciada duas vezes.
No dia 11 de novembro, os palestinos perdem seu maior líder. Para eles, Arafat será sempre um símbolo de luta e independência.
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