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Saúde Pública

Estudo livra refinarias de culpa por doenças

Pesquisa encomendada pela Revap à Universidade de São Paulo indica que refino de petróleo não provoca problemas respiratórios e câncer

Marcelo Claret
São José dos Campos

Estudo epidemiológico encomendado pela Revap (Refinaria Henrique Lage), em São José dos Campos, exime as atividades industriais de refino de petróleo na empresa como causa de doenças respiratórias e câncer na cidade.

O levantamento foi incorporado ao Estudo de Impacto Ambiental do projeto de modernização e ampliação do parque industrial da refinaria, que deve ser discutido em nova audiência pública no próximo mês.

O estudo, feito por três professores da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), usou como base os dados de mortalidade (de 1996 a 2001) e morbidade (de 1998 a 2003) do DataSuS no município.

Essas informações foram comparadas com os resultados obtidos no mesmo período em Taubaté --cidade escolhida por pertencer à mesma bacia hidrográfica e por ter características semelhantes a São José.

Os dados (números de mortes e de internações por doenças no aparelho respiratório) foram analisados com base nos atendimentos de pessoas nas faixas etárias de até 1 ano, de 1 a 4 anos e de 60 ou mais anos.

Modo geral, o estudo demostra menor proporção de óbitos por doenças respiratórias em São José, quando comparado a Taubaté --município onde a refinaria não tem atividade industrial.

Segundo o relatório, em Taubaté, por exemplo, o percentual de idosos que morreram por problemas respiratórios ultrapassa 15% em relação ao total de mortes na cidade, enquanto em São José esse índice não chegou a 14%.

O levantamento também aponta que o número de mortes por neoplasia (câncer) nos dois municípios em 98 e 99 era semelhante. No entanto, em 2001 e 2001, Taubaté registrou um aumento de óbitos do tipo.

Segundo o estudo, os casos de câncer em menores de 1 ano de idade, por exemplo, representa 0,9% do total de óbitos do tipo, enquanto em Taubaté o índice é superior a 1,5%.

Já as internações hospitalares por neoplasia, Taubaté teve percentuais mais elevados que São José --cidade que obteve mais internações por doenças do aperelho respiratório, de 1998 a 2003.

A mortalidade infantil também foi objeto de análise, que concluiu que São José teve resultado mais satisfatório --em 2001, o coeficiente por 1.000 nascidos vivos era de 13,49, contra o índice de 16,85 de Taubaté.

AVALIAÇÃO - O professor do departamento de medicina da Unitau (Universidade de Taubaté) Luis Fernando Vasconcelos, especialista em pneumologia, disse que os dados podem representar a realidade dos municípios.

"No entanto, o fato de usar estatísticas não comprova que o resultado seja o correto. Pelo contrário, as estatísticas podem ser utilizadas da maneira que melhor convém", disse o especialista.

Cláudio Vieira/26NOV04
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