Indústria Aeronáutica
CTA vai coordenar projeto da 1ª aeronave não-tripulada
Avião teleguiado poderá ser usado para reconhecer atividades ilegais na Amazônia
Iara Gomes
São José dos Campos
As três Forças Armadas já estão trabalhando no desenvolvimento da primeira aeronave militar não-tripulada do país, cuja coordenação será de responsabilidade do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos.
O projeto tem custo inicial estimado em R$ 27 milhões, dos quais R$ 10,2 milhões serão financiados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), por meio do fundo setorial aeronáutico.
Segundo Omar Abou Samra, secretário-executivo da Fundação Casimiro Montenegro Filho, entidade responsável pelo gerenciamento do projeto, os recursos já estão garantidos.
O desenvolvimento deverá começar em janeiro de 2005 e concluído em três anos. Existe a possibilidade de o primeiro protótipo da aeronave pilotada por controle remoto ser construído no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). O custo total ainda está sendo definido.
O projeto, batizado de Vant (Veículo Aéreo Não-Tripulado), terá como co-executores o Comando do Exército e o Comando da Marinha, por meio de seus institutos de pesquisa, ambos no Rio de Janeiro.
Praticamente todos os institutos do CTA, incluindo o ITA, deverão participar do desenvolvimento do Vant. "O projeto irá transformar todo um trabalho de pesquisa em desenvolvimento", disse Samra.
Ao todo, existem dez projetos em fase final de aprovação para a utilização de recursos do fundo aeronáutico, segundo Samra. As aeronaves militares não-tripuladas em geral são empregadas em missões especiais, como o reconhecimento e vigilância de campos de batalha.
Em ambientes de guerra esse tipo de avião antecede os ataques aéreos. No Brasil, os aviões não-tripulados poderão ser utilizados na Amazônia, para a identificação de atividades ilegais.
Pesquisadores do Laboratório de Computação de Alto Desempenho do Departamento de Ciências da Computação e Estatística da USP de São Carlos desenvolveram pequenos aviões, que ficaram conhecidos como projeto Arara (Aeronaves de Reconhecimento Assistidas por Rádio e Autônomas), em parceria com a Embrapa.
As aeronaves foram projetadas para substituir os aviões convencionais (tripulados) no mapeamento de áreas agrícolas e reduzir os custos do monitoramento dessas áreas e de outras áreas ambientais controladas.
TURBINA A GÁS - Paralelamente ao projeto do Vant, será construída uma turbina aeronáutica a gás, de pequena potência, que poderá equipar a aeronave não-tripulada.
O projeto, de R$ 16 milhões, terá a Avibras como co-executora. Metade dos recursos será financiada pela Finep e o restante pela empresa. A proposta inclui a transferência da tecnologia desenvolvida no instituto de pesquisa para a indústria.
A turbina é um antigo projeto do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), de baixo custo e do tipo turbojato, que funciona movida a querosene de aviação, álcool hidratado e gás (natural, GLP ou biogás). "Estamos assinando os documentos com a Finep para a liberação dos recursos", disse Samra.
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