Dupla revela os 'segredos' da criação
São José dos Campos
Os adolescentes C.H., 17 anos, e G.A., 15 anos, internos da Febem de São José, falaram ao ValeParaibano na última quinta-feira sobre suas poesias e como conseguem inspiração para escrever seus textos.
ValeParaibano - Como surgiu a poesia na sua vida?
C. - Surgiu aqui, inspirado por uma professora.
G. - Veio de fora, eu escrevia, fazia redações. Aqui aperfeiçoei a poesia por incentivo da professora.
VP - Vocês costumam ler poesia?
C. - Não, mas li "Diário de um Detento", e depois vi uma palestra do cara que escreveu o livro.
G. - Leio mais quadrinhos.
VP - Como vocês classificam a poesia que fazem?
C. - Faço poesia de amor, e falando também um pouco da situação que vivo aqui dentro.
G. - Se estou com raiva, em crise, escrevo poesia. Transfiro aquilo que sinto para o papel através da caneta.
VP - O que os outros meninos acham?
C. - Acham legal, dizem que admiram o dom que tenho.
G. - Incentivam.
VP - Vocês pensam em usar a poesia de outra forma?
C. - Pretendo escrever um livro aqui dentro. Tenho uns 20 poemas, e quero chegar a 100.
G. - Penso em escrever "Os caminhos da Poesia". Tenho mais de 60 poesias escritas aqui, e vou continuar. Depois faço uma seleção para colocar só os mais expressivos.
VP - A que horas vocês escrevem?
C. - Me inspiro pensando na liberdade. Isso não tem hora, pode ser de madrugada, de manhã...
G. - Não tem hora. Se for de noite, peço até caneta emprestada para um agente para escrever o que está na cabeça.
VP - Vocês escrevem cartas?
C. - Não escrevo mais, estou para ir embora.
G. - Escrevo para minha família.
VP - Tem algum autor que considerem uma referência poética?
C. - Carlos Drummond de Andrade.
G. - Não.
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