Cultura
Artesãos de Jacareí mantêm tradição com peças antigas
Na cidade é fácil achar a renda fricolité e os terços de lágrima-de-nossa-senhora
Patrícia Santos
Jacareí
Artesãos de Jacareí mantêm a tradição de confeccionar a renda frivolité e os terços de lágrima-de-nossa-senhora, produtos artesanais muito usados no passado, mas hoje se tornaram raridade.
A frivolité é uma renda de algodão tecida manualmente com um ou dois ganchos e era muito usada em golas e mangas de blusas femininas. Já os terços são feitos com uma semente cinza com riscos brancos.
O funcionário público aposentado de Jacareí Fabiano dos Santos, 66 anos, há 45 anos confecciona os terços com lágrimas-de-nossa-senhora --também conhecidas com capiá ou contas de rosário.
"Meu pai era catequista e morávamos na roça. Ele fazia cordão com as contas de rosário para nos ensinar a rezar o terço. Fui aperfeiçoando a técnica e aprendi a fazer o terço", disse Santos.
Santos afirmou que antigamente era fácil encontrar as contas de rosário. Ele também faz das sementes pulseiras miniterços usados como lembrança de casamento.
A aposentada Geralda Olga do Espírito Santo Aniceto, 72 anos, ainda mantém o hábito de fazer frivolité. Ela aprendeu a arte quando cursava o ensino médio em um colégio de freiras na cidade mineira de São João Del Rey.
"As pessoas usavam muito isso em golas e mangas de blusas. Só as pessoas mais antigas sabem fazer frivolité. Os mais novos, às vezes, nem conhecem", disse Geralda, que vende a R$ 5 o metro da frivolité.
VARIEDADE - Na cidade, que conta com mais de 80 profissionais cadastrados na Associação dos Artesãos de Jacareí, criada há 18 anos, a variedade de artesanato é grande.
Há peças em tricô, crochê, palha de taioba e de bananeira, brincolagem, madeira, pintura. Os produtos são vendidos na Casa do Artesão, no centro de Jacareí, e também em feiras de artesanato.
"Meu forte são os biscoitos caseiros e chocolates, mas faço muito crochê também. Aprendi o crochê em um curso oferecido pela própria associação e hoje faço para vender", afirmou Dirce Aparecida Silva, 53 anos, uma das fundadoras da associação.
O artesão Eduardo da Silva, 36 anos, disse que aprendeu brincolagem --que utiliza madeira MDF-- há quatro anos por necessidade financeira, mas adorou a técnica e atualmente é professor de artesanato.
"Fiquei desempregado e aprendi por necessidade. Fui me aperfeiçoando e hoje dou aula na rede pública. Adaptei uma máquina de costura antiga para fazer a brincolagem", afirmou Silva.
Com a técnica, ele produz réplicas da capela da Mãe Rainha, quadros, cadeiras, porta-jóias, porta-retratos, móveis em miniatura, entre outros artigos.
Parte dos artesãos de Jacareí participa da Fapija (Feira Agropecuária e Industrial de Jacareí), que termina hoje. Integrantes da associação estão em uma das salas destinadas ao artesanato regional.
Cláudio Vieira
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