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Terça-feira, 13 de Abril de 2004
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Desvendando Anacleto

Neto do compositor Anacleto Rosas Júnior, que morou mais de 20 anos em Taubaté, luta para divulgar a rica obra do músico

Fernanda Guerra
Taubaté

Entre as décadas de 60 e 70, quando ia às reuniões de sua família em uma casinha simples do bairro Santa Luzia, em Taubaté, o pequeno Rubens Rosa Junior não sabia que ia ao encontro de um dos maiores compositores da música sertaneja do país.

O dono da casa, Anacleto Rosas Junior (1911-1978), era um compositor de renome, autor de clássicos como "Cavalo Preto", "Os Três Boiadeiros" e "Cortando Estradão", mas, para Rubens, hoje com 41 anos, ele era acima de tudo seu avô.

"Eu o via como meu avô mesmo. Tinha orgulho de saber que ele era um compositor, mas não sabia nem de longe o real significado de suas composições para a música brasileira", disse Rubens.

Hoje, 26 anos após a morte de Anacleto Rosas Junior, Rubens trabalha com afinco para que a obra e o nome de seu avô não caiam no esquecimento.

Para isto, está desenvolvendo um projeto para lançar um CD independente com 24 músicas compostas por Anacleto --sozinho ou em parceria --, e que são referências da música sertaneja.

Entre as músicas pré-selecionadas, "Cavalo Preto", na interpretação de Sérgio Reis; "A Mestiça", cantada por Renato Teixeira e "A Morte do Canoeiro", nas vozes da dupla Tonico e Tinoco.

"As pessoas lembram muito dos cantores, mas os compositores ficam muitas vezes no esquecimento. Meu avô tem uma obra riquíssima, mas hoje seu nome é praticamente desconhecido", disse Rubens, que enfrentou uma verdadeira maratona para escolher as músicas que entrarão no CD --seu avô é autor de quase 500 composições, sendo mais de 60 especialmente escritas para a famosa dupla caipira Tonico e Tinoco.

Segundo Rubens, o trabalho não se limita à escolha das músicas. Como seu avô não cantava, suas músicas foram gravadas por inúmeros interpretes e, para registrá-las em seu CD, é preciso solicitar --e receber-- autorização da gravadora de cada música.

"Muitas gravações estão em discos antigos, de 78 rotações, algumas gravadoras já não existem mais, trocaram o nome ou foram compradas e recompradas. Só depois de descobrir qual a gravadora que tem atualmente os direitos sobre a música é que dá para pedir a autorização", afirmou Rubens, que já está entrando em contato com as gravadoras.

TRIBUTO - O CD, que Rubens pretende chamar "Tributo 2", é o segundo produzido por ele de forma independente para homenagear e resgatar a obra do avô.

O primeiro, chamado "Tributo", foi lançado em 1999, e segundo Rubens, foi o ponto de partida para que ele conhecesse a real dimensão da grandiosidade da obra do avô. Foram três anos de peregrinação em busca da autorização das gravadoras e artistas para compor o CD.

"Depois de escolher as músicas, ouvindo CDs e LPs antigos e com a ajuda de minha tia Cleusa (Cleusa Rosas, filha de Anacleto), que cantava as músicas que ela considerava importantes, mas que não tínhamos em casa, fui a São Paulo e só então descobri que precisava da autorização das gravadoras", disse.

Acertada a papelada, Rubens lançou o disco, com mil cópias, que foram distribuídas entre amigos, gravadoras e emissoras de rádio. Com o projeto de lançar o segundo CD também de forma independente, Rubens não deixa de sonhar em conseguir apoio de uma gravadora para lançar os discos comercialmente e vê-los chegar a todos os cantos do país.

"O meu grande sonho é que alguma gravadora se interesse pelo projeto e lance os dois CDs em tributo ao meu avô. Ele, e a música brasileira, merecem", disse.

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Alex Brito
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