Garoto sofre por não estudar
São José dos Campos
Enquanto os três irmãos se preparam animados para mais um dia de aula, o garoto Leônidas Alan de Souza, hoje com 16 anos, permanece cabisbaixo em um dos cantos da casa da família, na pequena cidade mineira de Conceição dos Ouros.
O garoto ainda sofre com as sequelas provocadas pelas agressões que sofreu em março de 1989, quando estava internado no HU (Hospital Universitário) da Unitau (Universidade de Taubaté).
Com a visão prejudicada, Alan não pode frequentar o colégio com seus irmãos.
"Está difícil, é muita dor, muita mágoa. Ele é muito revoltado, se tranca e chora muito. Vê os irmãos conseguindo estudar e ele está parado, ficando para trás. Pergunta para gente por que isso aconteceu com ele e como foi que aconteceu", disse a mãe do garoto, Perpétua da Silva Souza, 41 anos.
De acordo com o pai de Alan, Leônidas Ribeiro de Souza, 38 anos, o humor do filho é instável e ele fica nervoso e triste quando alguém toca no assunto.
"Um dia nós encontramos ele chorando no canto da sala. A mãe dele perguntou o que estava havendo e ele disse que sente por nós estarmos sofrendo, lutando há tanto tempo por justiça. Ele diz que poderia ser igual aos outros, estar estudando como eles", disse o pai.
O pai disse que o único 'remédio' para a tristeza do filho é um rádio de pilha que ele guarda no quarto. "Ele adora música, poderia ficar o dia ouvindo o radinho. Só isso para acalmar ele", disse.
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