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Terça-feira, 13 de Abril de 2004
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Reforma Agrária

Fazendeiros temem confrontos com ala 'radical' do MST na região

Ruralistas pedem intervenção federal para conter movimento paralelo de sem-terra

São José dos Campos

Representantes dos sindicatos rurais do Vale do Paraíba reagiram à criação de um movimento paralelo ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na região e temem o acirramento dos conflitos entre sem-terra e fazendeiros.

O movimento, liderado pelo PSTU e que engloba entidades de sem-terra e sem-teto de todo o país, foi lançado na semana passada em Jacareí.

O objetivo do grupo é ampliar as invasões de área para fins de reforma agrária e oferecer uma alternativa ao MST, que segundo a direção do novo movimento estaria adotando uma postura 'excessivamente' alinhada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Estão querendo radicalizar o que já está radical. O governo federal precisa adotar uma postura mais rígida para impedir essa bagunça. Do jeito que está, daqui a pouco os fazendeiros serão obrigados a pegar em armas para se defender", disse o presidente do Sindicato Rural de Jacareí, Paulo Turci.

O diretor do Sindicato Rural de São José, Benedito Pereira, também teme o acirramento dos conflitos por terra na região. "As recentes invasões já criaram um clima tenso."

O presidente do Sindicato Rural de Taubaté, Benedito Leite da Silva, não foi localizado ontem pelo ValeParaibano para comentar o assunto.

LUTA - A dirigente regional e estadual do MST, Soraia Soriano, rebateu as críticas do novo grupo.

"Não estamos alinhados ao governo Lula e continuamos lutando pela terra. Reconhecemos que o Lula até agora fez pouco pelos sem-terra, mas ainda acreditamos que é possível fazer a reforma agrária neste governo", disse Soraia.

Segundo ela, as direções do novo movimento e do MST deverão se reunir nos próximos dias. "Estamos abertos ao diálogo."

Procurada pelo ValeParaibano, a direção nacional do MST informou, por meio da assessoria de imprensa, que não iria comentar o assunto.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) não retornou as ligações do ValeParaibano para comentar o assunto até as 21h de ontem.

MANIFESTO - O dirigente do PSTU e um dos líderes do novo movimento, Antônio Donizete Ferreira, afirmou que não está descartada uma união com o MST. "Mas isso só será possível se eles mudarem de postura."

Segundo Ferreira, o manifesto do novo grupo criticando a atuação do MST deverá ser lançado até o final da semana.

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