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Terça-feira, 13 de Abril de 2004
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Concorrência Internacional

Governo pode adiar pela 2ª vez compra de caças

Especialistas apontam para aquisição de aeronaves usadas

Iara Gomes
São José dos Campos

Com todas as etapas da concorrência do FX concluídas desde o final do mês passado, surge a possibilidade de um novo adiamento da compra dos novos caças de superioridade aérea --conhecidos como programa FX-- por conta de restrições orçamentárias.

Embraer e Avibras, ambas com sede em São José dos Campos, participam da disputa avaliada em US$ 700 milhões.

Oficialmente, o governo apenas informou que a reunião do Conselho de Defesa Nacional, que definirá a escolha, ainda não tem data para ser realizada.

Mas, para alguns dos participantes e especialistas na área, em vez de anunciar o desfecho da licitação, o governo poderá colocar em prática uma espécie de "Plano B".

Dessa forma, seria adotada por tempo indeterminado uma das soluções provisórias que estavam sendo cogitadas para cobrir o período entre a desativação dos caças Mirage 3 e a entrada em operação dos novos aviões que seriam adquiridos por meio do programa FX. A frota de Mirage 3 da FAB tem mais de 30 anos e será desativada em 2005.

Para o especialista em assuntos militares da UFJF-MG (Universidade Federal de Juiz de Fora), Expedito Bastos, a tendência é que algumas propostas já apresentadas e até mesmo rejeitadas, voltem à tona.

Entre elas, a oferta do caça Cheetah pela África do Sul. O avião é uma versão de um modelo israelense. "O problema é que o Cheetah é uma aeronave obsoleta", disse o especialista.

A aeronave disputaria a preferência do governo brasileiro com o caça Kfir, de fabricação israelense e outros. Há ainda a proposta do consórcio franco-brasileiro, que reúne a francesa Dassault e a brasileira Embraer, de modernização dos atuais Mirage da FAB. "Os aviões estão no final da sua vida útil e reformá-los é praticamente inviável", disse Bastos.

O consórcio integrado por Avibras e os russos do Rosoboronexport ofereceram o empréstimo de 12 caças Sukhoi-27. O Brasil pagaria apenas as despesas de seguro e manutenção das aeronaves.

O Ministério da Defesa informou que o parecer da comissão que analisou as propostas dos concorrentes para assessorar o Conselho de Defesa Nacional foi remetido ao Gabinete de Segurança Institucional no último dia 25. Segundo a assessoria do Gabinete, a reunião do conselho ainda não foi agendada.

A licitação do FX prevê a compra de até 24 caças. O resultado estava previsto para a primeira quinzena de abril. Embraer e Avibras não comentaram a possibilidade de adiamento da concorrência.

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