Inmet reclama de falta de estrutura
Brasília (AF)
O diretor do Inmet (Instituto de Meteorologia), Antonio Divino Moura, afirmou que o órgão poderia ter previsto com mais precisão a intensidade dos ventos que atingiram Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul, caso contasse com bóias meteorológicas na região do Atlântico em que se formou o ciclone.
Moura queixou-se da falta de recursos do órgão. "Nos ajudaria na medida do vento", disse Moura, ao comentar que o Inmet planeja adquirir o equipamento, mas ainda não conta com recursos para a compra das bóias. "Gostaríamos de ter algumas bóias nessa região."
O diretor admitiu que os técnicos do seu instituto subestimaram a velocidade com que os ventos atingiriam parte do litoral de Santa Catarina. "Pode-se chamar de imprecisão, de erro, a previsão de intensidade dos ventos", afirmou Moura.
Ao chegar no litoral brasileiro, em alguns pontos, as rajadas atingiram velocidades de até 150 quilômetros por hora. O Inmet trabalhava com a possibilidade dos ventos soprarem, no máximo, entre 80 e 100 quilômetros por hora.
Sem contar com as bóias meteorológicas, o Inmet recorreu a estimativas baseadas nas fotos de satélites norte-americanos. De acordo com Moura, ao ir de encontro à Serra Gaúcha, os ventos se aceleraram.
Moura reclamou da falta de estrutura do Inmet. De acordo com ele, por falta de recursos humanos, o Inmet se encontra num estágio "decrescente na qualidade das observações".
O diretor afirma que algumas das estações meteorológicas tem apenas um técnico, pois há 20 anos não há concurso para a área. Nos últimos sete anos, segundo Moura, o orçamento do instituto caiu de cerca de R$ 50 milhões para R$ 25 milhões por ano.
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