Meteorologia em Xeque
Inpe admite falha na previsão sobre a chegada do ciclone no Sul do país
Instituto diz que faltaram equipamentos adequados para fazer um registro preciso do fenômero
São José dos Campos/AF
O CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), em Cachoeira Paulista, admitiu ontem falha na previsão sobre a dimensão do impacto do ciclone que atingiu o norte do Rio Grande do Sul e o Sul do Estado de Santa Catarina na madrugada do último domingo.
O CPTEC --órgão ligado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)-- divulgou em previsão feita no sábado que os ventos atingiriam em média 60 quilômetros por hora.
Ontem, meteorologistas do CPTEC e Inmet (Intituto Nacional de Meteorologia) se reuniram em Cachoeira Paulista e unificaram o discurso definindo o fenômeno como ciclone --porque apresenta temperaturas altas em seu interior e ventos girando em sentidos opostos.
Segundo o CPTEC, para a formação de um furacão a temperatura no oceano deve ser superior a 28ºC. Os ciclones se formam em temperaturas mais baixas, por volta de 24ºC.
No auge do ciclone, classificado pelo CPTEC como extratropical, os ventos chegaram a 150 quilômetros.
A intensidade dos ventos provocou pelo menos três mortes, sendo que 12 pessoas ficaram desaparecidas e outras 550 desabrigadas. Cerca de 30 mil casas foram danificadas.
O órgão admitiu que a falta de equipamentos adequados dificultou a acertividade das previsões.
O chefe de Divisão de Operações do CPTEC, Marcelo Seluchi, disse que a falta de bóias meteorológicas impediu um registro preciso do fenômeno.
"Se tivessem bóias no mar na linha da passagem do ciclone teríamos a possibilidade de ter uma maior precisão para medir a velocidade dos ventos", disse Seluchi.
Seluchi disse também que a frequência com que as imagens de satélite chegavam aos metereologistas prejudicou a análise do ciclone --batizado de Catarina.
"As imagens que vinham do satélite norte-americano chegavam de meia em meia hora. O ideal éramos ter um satélite brasileiro enviando informações sobre o ciclone a cada minuto", disse Seluchi.
Seluchi afirmou que o Brasil não tem um satélite para produzir essas informações.
POLÊMICA - Outros institutos divergem que tenha sido um ciclone opinião. O Climerh (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina), adotou a classificação de furacão nível 1 --com ventos de até 150 quilômetros por hora.
O Climerh segue a definição do Centro Nacional de Furacões dos EUA. O centro norte-americano previu a chegada do furacão no Brasil com uma semana de antecedência.
Daniel Caliero, meteorologista do Climerh, explicou que a definição de furacão se deve à classificação feita por institutos norte-americanos. "Eles têm tecnologia para fazer o diagnóstico," disse.
Já para os especialistas da Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo (RS), a definição do fenômeno dependerá de estudos. "Os cientistas terão que, eventualmente, designar um novo conceito, como furacão extratropical", afirmou Alexandre Amaral de Aguiar, coordenador de relações institucionais da rede.
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