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Terça-feira, 30 de Março de 2004
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Pesquisa Sensus/CNT

Confirmada queda da aprovação do governo

Aprovação da administração federal cai de 39,9% para 34,6% e a de Lula, de 65,3% para 59,6%, baixa de 5,7 pontos

Brasília (AE)

Pesquisa feita pelo Instituto Sensus sobre a popularidade do governo, divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), confirmou a queda da aprovação da gestão e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontada sexta-feira no levantamento da Confederação Nacional da Indústria encomendado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

Segundo a sondagem do Instituto Sensus, realizada de quarta-feira passada a sexta-feira --dias 24 a 26-- entre 2 mil entrevistados em 195 municípios de 24 Estados, a aprovação da administração federal caiu de 39,9% em fevereiro para 34,6% em março (-5,3 pontos) e a de Lula, de 65,3% para 59,6% (-5,7 pontos).

A avaliação negativa do Poder Executivo subiu 4,3 pontos de 15,1% em fevereiro para 19,4% em março, enquanto a desaprovação a Lula aumentou 6,3 pontos, de 24,2% para 30,5%.

Ao longo do governo, a aprovação do Executivo caiu 22 pontos porcentuais, pois era de 56,6% em janeiro de 2003.

No primeiro trimestre de 2004, a queda foi de 6,4 pontos de 41% em dezembro para os atuais 34,6%. Já a aprovação pessoal do presidente caiu 24 pontos desde a posse, quando estava em 83 6%, e, apenas no primeiro trimestre de 2004, a queda chegou a 10 3 pontos porcentuais, de 69,9% em dezembro para os atuais 59 6%.

"A queda do índice de aprovação do governo Lula deve-se, principalmente, a um mau desempenho da economia e ao desemprego", avaliou o coordenador da pesquisa CNT-Sensus, Ricardo Guedes, segundo o qual "80% da queda de popularidade do governo Lula se deve à queda do emprego".

CASO WALDOMIRO - Guedes disse que o caso Waldomiro Diniz não foi o principal responsável pela perda de popularidade da União. O levantamento mostrou que 52,8% dos entrevistados não ouviram falar do episódio, enquanto 25,9% apenas escutaram falar e somente 18% têm acompanhado o caso.

Do total de entrevistados, 22% consideraram o acontecimento muito prejudicial ao governo e 9,6% um pouco prejudicial. Os demais consideraram-no indiferente ou não responderam a questão. Somente 8,5% dos entrevistados disseram que o fato mudou a opinião deles sobre o PT, enquanto 12,5% disseram que o caso Diniz diminuiu a confiança na gestão; para 25%, ficou inalterada a opinião sobre a administração federal, e para 3,8%, a confiança aumentou.

DESEMPREGO - A sondagem CNT-Sensus apontou também que aumentou o número de cidadãos que atribuem ao governo Lula, e não mais ao do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a responsabilidade pelo desemprego, embora a gestão anterior continue sendo apontada como principal responsável pela questão. O número dos que creditam a dificuldade ao governo passado caiu de 40,3% em agosto de 2003 para 31,5% em março deste ano, enquanto o dos que o atribuem a Lula subiu de 9,2% para 17,5% no mesmo período de comparação.

A inflação, que era apontada como responsável pelo desemprego por 20%, foi citada por apenas 16,5% neste mês.

A pesquisa mostrou ainda que somente 19,5% dos entrevistados com mais de 16 anos tinham emprego fixo e 26,4% estavam procurando por um, enquanto 52,3% não tinham emprego nem estavam à procura de um. Dos que têm trabalho, 52,4% disseram que não abririam mão de direitos para preservar o posto, enquanto 33,7% o fariam.

Já entre os que procuram emprego, 48,8% disseram que abririam mão de direitos e 41,2%, que não.

BINGOS - A sondagem também detectou uma divisão de opiniões em relação à decisão do Poder Executivo de fechar as casas de bingos no país. Embora 49,1% dos entrevistados tenham se manifestado a favor da decisão, um grupo expressivo de 40,8% mostrou-se contra essa medida.

OUTRA PESQUISA - Pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao Ibope e anunciada na última sexta-feira, mostra queda de 12 pontos percentuais na aprovação ao governo de Lula. Foi a maior queda nas cinco pesquisas registradas pelo instituto desde o início do governo. O índice de aprovação, que era de 66% em dezembro, passou para 54% neste mês. No mesmo período, a desaprovação ao governo subiu de 25% para 39%.

A pesquisa, realizada entre os dias 20 e 25 últimos em 151 municípios de todos os Estados, ouviu 2.000 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

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