Assistência Social
S. José exclui adolescentes, diz pesquisa
Estudo da USP mostra que jovens de 14 a 18 anos sofrem com falta de amparo
São José dos Campos
Os jovens com idade entre 14 e 18 anos de idade são os que mais sofrem com exclusão social em São José dos Campos.
O problema foi apontado pelo "diagnóstico social do município", elaborado por três entidades de São Paulo e apresentado anteontem à noite para conselheiros, representantes de entidades sociais e empresários.
Segundo o pesquisador da USP, João Paulo Altenfelder, os jovens dessa faixa etária são os que precisam de mais atenção por parte do município em setores como educação, profissionalização e saúde.
O levantamento foi feito a pedido do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).
Além da USP, também fizeram a pesquisa a FIA (Fundação Institucional de Administração de São Paulo) e o Ceats (Centro de Empreendedorismo Social e Administração do Terceiro Setor).
Paralelamente ao diagnóstico, foi ministrado em agosto e setembro um curso de capacitação para cerca de 35 conselheiros do município.
O coordenador do colegiado do CMDCA, Antônio Carlos Silvério, disse que no dia 7 de outubro os conselheiros irão se reunir para começar a discutir e elaborar o plano de ações para 2004, com base nos problemas detectados pelo diagnóstico.
O conselheiro do CMDCA Gilberto Silos disse que serão chamados para discussão representantes do poder público, da sociedade e de 74 entidades sociais.
DEMANDA - Altenfelder disse que o jovem de 14 a 18 anos precisa ser mais atendido em áreas prioritárias como educação e saúde e também nos setores de esportes, lazer e cultura.
O diagnóstico aponta que 73% dos adolescentes de São José não têm acesso a cursos profissionalizantes nas redes pública e privada.
"Isso significa que o jovem está indo para o mercado de trabalho sem uma especialização ou até mesmo sem nem concluir o ensino médio", afirmou Altenfelder.
De acordo com o levantamento feito pelo grupo, 13% dos adolescentes que deveriam estar cursando o ensino médio não teriam se matriculado e 8% abandonaram o colégio. "Esses dados merecem atenção por parte do CMDCA e do poder público", disse Altenfelder.
A Secretaria do Estado de Educação não se manifestou a respeito do assunto ontem.
PREFEITURA - O diretor da Secretaria de Desenvolvimento Social, João Francisco de Sawaya Lima, disse que os dados apresentados precisam ser 'melhor avaliados'.
Ele disse que a prefeitura possui programas sociais voltados para todas idades e citou os cursos oferecidos pela Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) e pelo Prodec (Programa de Desenvolvimento Comunitário).
Sawaya defendeu o trabalho na área da educação feito pelo município. "Nossa evasão não ultrapassa 2%", afirmou.
|