Para que Servem os Partidos?
Quando o Congresso começou a discutir as reformas Tributária e da Previdência encaminhadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas poucas vozes alertaram que, antes destas propostas, seria mais importante a votação de uma reforma política.
Sem conseguir chegar a um texto consensual sobre as duas emendas constitucionais ora em discussão, especialmente com relação às mudanças no sistema tributário, o governo do PT adiou, por prazo indefinido, o debate sobre a reforma política. E não foi só por isso, uma vez que o próprio PT vem se beneficiando das brechas oferecidas pela atual legislação, transformando as legendas aliadas no Congresso em abrigos seguros para políticos eleitos pela oposição, mas interessados em aderir à base governista.
Sem fidelidade partidária, o Legislativo brasileiro, nas suas diferentes esferas, virou terreno fértil para as legendas de aluguel. Sem um sistema que valorize os partidos como instrumento de fortalecimento da democracia, criar ou ressuscitar siglas com o mero objetivo de participar de disputas eleitorais virou prática usual a cada dois anos. Sem compromisso político, imperam o personalismo e, quase sempre, o fisiologismo.
As mudanças de partido observadas nas Câmaras da região nos últimos dias apenas ratificam a tese de que é preciso rever, urgentemente, a lógica do sistema político brasileiro. Em Taubaté, por exemplo, apenas 5 dos 21 vereadores eleitos em 2000 mantiveram-se fiéis às legendas de origem.
Em São José, os vereadores que integram a base governista, temendo ver seus partidos alinhados com candidatos de oposição, migraram para siglas "nanicas", cujo significado ou programa eles próprios ignoram. Na realidade, a única plataforma política destes partidos é servir de instrumento para candidaturas à reeleição.
As aberrações não param por aí. Em todo o país, prefeitos que cumprem seu segundo mandato mudam de domicílio eleitoral para concorrer, quem diria, a um "terceiro mandato consecutivo". No Vale, o exemplo vem do prefeito de Lorena, Aloísio Vieira, que revelou ontem que, após quatro anos à frente da Prefeitura de Cachoeira e oito em Lorena, pretendia disputar o comando do Executivo em Cruzeiro.
Sem a reforma política, os eleitores estarão em 2004 novamente à mercê de um sistema perverso e irresponsável.
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