Risco de Racionamento
Pedido de regime de escassez será votado pelo Ceivap para evitar desabastecimento; bacia tem pior índice de chuvas em 20 anos
Vale quer limitar gasto de água para evitar seca
Marcelo Claret
São José dos Campos
O Ceivap (Comitê para Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul) vota no próximo dia 14 se encaminhará ao governo federal um pedido de 'regime de escassez' na bacia do rio Paraíba do Sul. Com a medida, que é inédita, as indústrias, empresas de saneamento, agricultores e pecuaristas seriam obrigados a limitar o volume de captação de água.
A ação é defendida pelo chefe do laboratório de hidrologia da Coppe (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Canedo, em razão da previsão de seca, em outubro deste ano, dos reservatórios de Paraibuna, Jaguari e Santa Branca feita pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
O decreto de regime de escassez precisa ser aprovado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de colocado em prática. Já a redução do consumo é calculada e determinada pela ANA (Agência Nacional de Águas), assim que a medida for autorizada pelo governo federal.
O presidente do Ceivap, Eduardo Meohas, disse que medidas emergenciais devem ser adotadas antes que as 180 cidades dos três Estados --São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais-- abastecidos pela bacia do rio sofram com falta de água.
"O estudo do ONS é a morte anunciada dos reservatórios. Na próxima reunião do Ceivap, dia 14, vamos colocar em votação se enviaremos ou não o pedido de regime de escassez ao governo federal", disse Meohas.
Os três reservatórios da região, localizados na cabeceira da bacia, são responsáveis pelo abastecimento de dois milhões de pessoas nos municípios paulistas, a maioria no Vale, e por oito milhões e meio de habitantes da região metropolitana do Rio.
Meohas, que é prefeito em Resende (RJ) pelo PT, disse que apresentará hoje à direção do Cedae (Companhia Estadual e Águas e Esgotos) do Rio de Janeiro uma proposta de redução da captação.
POLUIÇÃO - Segundo o especialista da UFRJ, além do problema do nível de água, a poluição da bacia do rio com o despejo de esgoto pode ser agravada caso uma medida não seja implementada.
"O volume de esgoto despejado na bacia não vai diminuir. Dessa forma, a concentração de poluentes será agravada porque não haverá água suficiente para diluir o esgoto", disse Canedo.
O ESTUDO - O levantamento do ONS foi baseado no cálculo simulado da queda no nível de água nos reservatórios. A represa de Paraibuna estaria perdendo 0,3% de seu volume útil por dia e a de Jaguari, 1,4%.
A queda estaria sendo provocada pela alta vazão de água liberada para o reservatório de Santa Cecília (RJ) e pela falta de chuva concentrada na cabeceira da bacia do rio.
A ANA e a Casa Civil não comentaram a votação do regime de escassez proposta pelo Ceivap. Já o porta-voz da Presidência da República, André Singer, não telefonou de volta para falar sobre o assunto.
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