Natureza Ameaçada
Cetesb investiga plantas no Paraíba
Número de pontos de análise de água passou de 9 para 200 no Vale após aparecimento de vegetais
São José dos Campos
A Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) intensificou o monitoramento da qualidade da água do Rio Paraíba para verificar se o aparecimento de plantas aquáticas está relacionado ao lançamento de esgoto doméstico no rio.
Técnicos da companhia estão coletando amostras de água em 200 pontos dos do rio Paraíba, que tem 320 quilômetros de extensão no trecho paulista. O relatório com o resultado destas análises deve ser concluído no final deste mês. Normalmente a Cetesb avalia a qualidade bimestralmente e em apenas nove pontos entre os municípios de Santa Branca e Queluz, na divisa com o Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o gerente regional da companhia no Vale do Paraíba, Mário Luiz Alves, as plantas aquáticas apareceram "coincidentemente" nos trechos onde se têm maior índice de esgoto doméstico --em Jacareí, São José dos Campos e Caçapava.
"A Cetesb está trabalhando nesse assunto. Iniciamos em abril, no período de estiagem, esse trabalho. Aumentamos de 9 para 200 os pontos de coleta de água", afirmou Alves.
Ele disse, que em alguns trecho do rio no Vale as plantas aquáticas estão se proliferando de maneira anormal. Elas chegam a obstruir a passagem até mesmo de barcos em alguns pontos, como em Caçapava.
"Desde o início deste trabalho estamos de barco no rio Paraíba e foi identificada a presença dessas plantas. Em alguns trecho houve fechamento da extensão do rio. É uma formação anormal. Elas formam um emaranhado no fundo do rio. Houve aumento na proliferação de plantas aquáticas entre Jacareí e Caçapava", disse Alves.
ESGOTO - De acordo com a Cetesb, 81% do esgoto produzido em Jacareí é lançado "in natura" no Paraíba. A cidade possui 197 mil habitantes. Em São José, 45% do esgoto doméstico gerado pelos 560 mil habitantes também é despejado no rio.
O lançamento de matéria orgânica no rio aumenta o índice de nutrientes necessários às plantas aquáticas. Elas absorvem esses nutrientes, mas também "seguram" resíduos e quando morrem prejudicam a qualidade da água.
"Não temos informações suficientes para saber se elas têm efeito benéfico ou se causam eventual prejuízo", afirmou Alves.
Vegetais estariam obstruindo trechos do rio no vale
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