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Quinta-feira, 01 de Maio de 2003
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Pós-Guerra

Bush anuncia hoje fim de combates

São Paulo (AF/AE)

O presidente americano, George W. Bush, fará um discurso hoje às 21h (23h em Brasília) direto de um porta-aviões para anunciar o fim do principal combate no Iraque, afirmou ontem Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca.

Bush, porém, não vai declarar formalmente a vitória ou o final da guerra, segundo o porta-voz.

"O presidente baseará seu discurso na mensagem do general Tommy Franks, comandante das tropas americanas no Iraque, que considerou que as grandes operações de combate terminaram e a próxima etapa começou, ou seja, a reconstrução do Iraque", afirmou o porta-voz.

Fleischer disse que o discurso não era, "do ponto de vista legal, um fim das hostilidades", apesar de o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein ter sido derrocado. "Ainda há forças que são alvos de disparos e protestos", afirmou.

Apesar de não pretender declarar a vitória da guerra no Iraque, Bush quer marcar "um momento importante" ao pronunciar o discurso a ser transmitido pela TV nacionalmente, da mesma forma que o fez no dia 19 de março, quando anunciou o início da invasão.

VISITA - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, fez uma visita surpresa ao Iraque ontem para saudar a derrota do ex-ditador Saddam Hussein, no momento em que a violência ressurgia em um protesto antiamericano perto de Bagdá.

Moradores de Fallujah, a 50 km a oeste da capital iraquiana, disseram que soldados dos EUA mataram a tiros três pessoas durante uma manifestação ontem. Quinze pessoas já haviam sido mortas na cidade durante um protesto anti-EUA na noite de segunda-feira.

Várias testemunhas afirmaram que militares americanos dispararam quando milhares de pessoas protestavam justamente contra o assassinato de segunda-feira.

"Era uma manifestação pacífica. As autoridades religiosas nos pediram que não levássemos armas. Não houve resposta aos tiros", declarou Safa Rousli, morador de Fallujah.

A testemunha afirmou que os soldados, em veículos blindados, começaram a disparar quando crianças que estavam em meio à multidão atiraram pedras e sapatos contra os militares.

O major norte-americano Michael Marti disse que um comboio respondeu ao fogo depois de ter sido atingido por tiros vindos de uma multidão perto de um posto de comando. Ele disse que os soldados contaram dois iraquianos potencialmente feridos.

A violência em Fallujah foi um golpe à visita de Rumsfeld, que chegou a Bagdá após passar por Basra, no sul do Iraque.

Em Basra, segunda maior cidade do Iraque, Rumsfeld saldou as tropas britânicas que ajudaram as forças dos EUA a derrubar Saddam, no dia 9 de abril.

JORNAL - Um jornal árabe editado em Londres publicou nesta quarta-feira uma carta cuja autoria é atribuída a Saddam Hussein e na qual o suposto presidente iraquiano deposto pede ao povo de seu país que resista ao Exército dos Estados Unidos, que invadiu o Iraque e derrubou seu governo.

O diário Al-Quds al-Arabi cita fontes ligadas ao ex-presidente para informar que a caligrafia e a assinatura de Saddam Hussein são autênticas.

A carta foi enviada à redação do jornal por fax e leva a data de 28 de abril, dia do 66º aniversário de Saddam, disse o redator-chefe Abdel Bari Atwan.

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