Lula chega à Presidência
Com uma votação histórica, batendo os 50 milhões de votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou o Palácio do Planalto, superando José Serra no segundo turno
São Paulo (AF)
Após 22 anos de existência do partido, três derrotas e oito anos de oposição quase sistemática a Fernando Henrique Cardoso (com críticas ao modelo econômico e ao legado na área social), o ex-torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 57, chegou à Presidência da República.
Lula venceu o economista José Serra, 60, candidato oficial, duas vezes ministro de FHC e uma das principais lideranças do PSDB.
O petista chegou ao cargo mais conservador, com inflexão ao centro e sem assustar a direita do país (com quem até se associou para atingir a vitória). O petista, eleito no dia do seu aniversário, afirmou que está disposto a firmar um pacto social com todos os setores da sociedade para resolver a crise pela qual o país atravessa.
Sinal da aproximação e do bom trânsito do PT com setores conservadores foi a escolha do empresário José Alencar Gomes da Silva, 71, como vice na chapa. Político mineiro do PL, o senador será um dos interlocutores do novo governo com setores empresariais e conservadores do "establishment".
Lula é o primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente e, no cargo, o primeiro operário, o primeiro civil sem diploma universitário e o primeiro natural de Pernambuco a exercê-lo como titular.
Em três meses de campanha, Lula visitou 93 cidades, fez 103 comícios, 63 carreatas, permaneceu um total de 147 horas dentro de aviões e percorreu 61.127 km pelo país.
Foi a mais rica campanha presidencial da história do partido, com custo estimado em mais de R$ 35 milhões.
Integrantes do PT, como o presidente do partido, José Dirceu, o prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antônio Palocci, e o deputado federal e recém-eleito senador Aloizio Mercadante (SP) também tiveram papel fundamental na eleição de Lula.
Desde 1989, quando perdeu sua primeira eleição presidencial para Fernando Collor de Mello, o discurso, as propostas e, talvez, principalmente, a imagem do candidato e do partido vêm se tornando menos radical e mais próxima de setores mais ao centro.
Teve o segundo maior tempo de TV à disposição no primeiro turno (5min19s por bloco, ou 21,2% do total, atrás apenas do tucano José Serra, com 10min18s). Para isto, o marqueteiro Duda Mendonça criou as chamadas "pílulas", inserções nas quais dava tom emocional aos programas.
Ao mesmo tempo, Lula contou com uma equipe de articuladores que costurou apoios antes considerados inimagináveis. Primeiro silenciou a ala mais radical do partido. Depois, fez visitas à Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), à Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), à Fierj (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e à Escola Superior de Guerra.
Em todos os encontros, recebeu elogios e aplausos.
(foto 1) Roberto Stuckert Filho/O Globo
(foto 5) ABR
Dida Sampaio/AE
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