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Quinta-feira, 03 de Janeiro de 2002
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América Latina

Palito Miranda e sua consistência

Maestro e saxofonista, ex-integrante do grupo Biriba Boys, já soma 11 discos solo, nos quais mescla música brasileira e paraguaia

São José dos Campos

O maestro Palito Miranda completa 49 anos de carreira com uma vasta trajetória dentro da música brasileira e paraguaia. Ele nasceu na cidade de Carapeguá, no Paraguai, em 1941, e veio para Brasil quando tinha 23 anos, onde sempre buscou fazer um intercâmbio entre as vertentes musicais latino-americanas.

Nessa busca pela integração, Palito Miranda gravou mais de 11 CDs, entre discos solo e parcerias com diversos conjuntos musicais. Nos anos 70, veio morar no Vale do Paraíba onde tocou por um longo tempo na tradicional banda Biriba Boys. Esse encontro rendeu a gravação de cinco CDs que trazem clássicos da Música Popular Brasileira. Palito Miranda gravou ainda um disco especial com músicas do compositor Pixinguinha.

A interação de Miranda com os ritmos brasileiros não prejudicou sua relação com a tradição musical paraguaia. Na verdade, todo este intercâmbio favoreceu a edição de seu mais novo CD, intitulado "Cone Sur" que foi gravado no Paraguai e na Argentina.

O disco é dedicado aos países do Cone Sul, com canções de compositores da Argentina, Brasil, Paraguai e até dos Estados Unidos. Traz uma fusão do folk paraguaio com a música brasileira, tudo misturado ao tango do argentino de Astor Piazzolla. Para finalizar, algumas faixas com o swing do jazz americano.

Outro disco recente de Palito Miranda é o "Polka Blues" que traz uma mistura dos ritmos paraguaios com o blues americano. Já o CD "Paraguay Libre" faz um resgate das músicas paraguaias através de um repertório só com canções instrumentais.

Apesar de já ter gravado 11 Cds, Palito Miranda não tem nenhum disco produzido em escala comercial. Ele está pleiteando com a gravadora CID (Companhia Industrial do Disco), do Rio de Janeiro, a produção do "Cone Sur", mas até agora não tem nada definido.

ZECA PAGODINHO - Existe um terreiro chamado Jequirão que fica em Xerém, subúrbio do Rio, onde mora Zeca Pagodinho. No terreiro, rolam fantásticas rodas de samba, integradas tanto por compositores e intérpretes desconhecidos como por medalhões, como Beth Carvalho assídua freqüentadora.

Ali, ouve-se música de primeira qualidade. Zeca Pagodinho e o produtor Rildo Hora tiveram a idéia de juntar a turma de sambistas que freqüenta o terreiro para gravar músicas inéditas. Nada de superprodução - foi gravação ao vivo, aproveitando a espontaneidade das rodas de samba. O resultado é o disco "O Quintal do Pagodinho" da gravadora Universal, um dos melhores discos de samba dos últimos tempos.

São 15 bambas inéditos, tendo na base a nata dos instrumentistas do gênero, gente do quilate de Carlinhos Sete Cordas, Gordinho, Marcos Esguleba, Felipe de Angola, Paulão, mais marcação de palmas, aplausos ao final. O idealizador Zeca não canta, só observa a turma de compositores e intérpretes que inclui os nomes:

Otacílio da Mangueira, Bidubi, Alamir, Jorge Macarrão, Dunga, Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande, Efson, Rixxah, Zé Roberto, Carlos Roberto da Mangueira, Maurição, Luizinho Toblow, Wilson das Neves e Leandro di Menor.

Flávio Pereira
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