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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2001
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Caso Cracolândia

Decretado sigilo em investigação

Juiz decreta segredo de Justiça no processo contra policiais acusados de tráfico em SP

São Paulo (AF)

O juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), Maurício Lemos Porto Alves, decretou ontem segredo de Justiça no inquérito que apura o envolvimento de policiais civis do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) com torturas e tráfico de drogas na cracolândia (centro de SP).

Na prática, isso significa que, além dos investigadores do caso, só advogados com procuração dos cinco acusados --ou de outros que venham a ser acusados-- terão acesso às informações.

A decisão da Justiça foi provocada por um pedido do delegado Osmar Ribeiro Santos, da 4ª Delegacia de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil.

Os motivos alegados pelo delegado para sustentar o pedido não foram informados pela corregedoria, pela Delegacia Geral ou pela Secretaria da Segurança Pública. No sábado, durante uma longa entrevista coletiva, o mesmo delegado Santos e o corregedor da Polícia Civil, Rui Estanislau Silveira Mello, defenderam a transparência das investigações. Ontem, Mello pediu afastamento e deixou o cargo.

Os motivos da demissão não foram esclarecidos até o final da tarde de ontem. Na corregedoria e no Ministério Público os relatos indicavam que Mello havia se desentendido com o promotor José Carlos Blat, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), um dos responsáveis pelas imagens feitas na cracolândia e um dos promotores designados pela Procuradoria Geral de Justiça para acompanhar o inquérito policial.

O Gaeco, porém, além de acompanhar o inquérito, continua ouvindo testemunhas em sua própria investigação.

VÍTIMAS - Em dois depoimentos dados ontem ao Ministério Público, dois dos cinco policiais apontados como comandantes do tráfico de drogas na cracolândia são acusados de tortura e de concussão (extorsão feita por servidor público).

A denúncia de tortura é feita por uma mulher que acusa duas equipes de cobrar propina de traficantes e prostitutas, vender droga e torturar.

Outro depoimento é da manicure M.A.P.O, 45. Ela afirma ter pago R$ 5.000 ao investigador José Roberto de Castilho em 94 devido a ameaças que ele fazia de prender o filho dela, D.

D., que morreu a cerca de dois anos, teria recebido as ameaças após comprar um carro roubado. "O Castilho dizia que o carro era roubado e que tinha um boletim de ocorrência contra o meu filho."

Ela disse ter denunciado o caso agora para ajudar a manter Castilho na cadeia. "Antes tive medo. Não que esteja com coragem", disse.

Procurado pela reportagem, o advogado de Castilho, Antônio Calil de Mello, disse que não teve acesso ao depoimento da manicure e não teria como comentar a denúncia contra seu cliente.

INTERIOR - Seis policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Catanduva (SP) foram presos no final de semana acusados de envolvimento com o narcotráfico. Eles estão sendo processados por prevaricação (deixar de cumprir sua função para tirar proveito próprio), pois teriam deixado de prender traficantes e devolvido a eles parte da droga apreendida pela delegacia para que fosse revendida. Os policiais receberiam propina dos traficantes.

O delegado Antonio Artuzzo e os investigadores Flávio e Varlei Tadeu Sanches, que são irmãos, além de Issao Wagatsuma e Guerino Alexandre Sbrolini, da mesma equipe, foram presos por policiais de São José do Rio Preto, para onde foram levados. O escrivão João Batista César se apresentou depois e também foi detido.

O mandado de prisão, expedido pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Catanduva, Júlio César Domingues Spoladori, também determinou a prisão do advogado Dionísio dos Santos Menino Neto e do informante dos policiais, Márcio Augusto Monari. Eles ainda estão foragidos.

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