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Doce regresso

A volta de Andréa Beltrão

Depois de três anos de exílio voluntário atriz retorna com papel divertido em "As Filhas da Mãe"

Leandro Calixto
Rio de Janeiro/TV Press

Andréa Beltrão nem se lembra mais quanto tempo está sem aparecer na telinha. "É tudo isso mesmo: três anos?", espanta-se a atriz, ao ser informada que seu último trabalho foi em "Era Uma Vez...", na pele da intempestiva Bruna.

Na verdade, Andréa deu uma parada estratégia em sua carreira na televisão após encerrar a participação na novela de Walter Negrão, em 1998, para ter um outro filho, José, de 18 meses, com o diretor Maurício Faria, e se dedicar um pouco mais aos outros dois: Rosana, de 4 anos, e Chico, de 6.

Passado este período, com os rebentos já na escola, a atriz carioca de 37 anos escolheu o ano de 2001 para retomar a carreira na tevê. E a volta, como a intransigente Tatiana da novela "As Filhas da Mãe", acontece no momento em que está na telona, com o filme "A Partilha" e também nos palcos, com a peça "A Memória da Água".

"Chega uma hora que é preciso voltar. Principalmente na Globo, onde sou contratada e não posso ficar muito tempo parada", justifica a atriz.

Segundo Andréa, o convite para regressar à televisão não poderia ter ocorrido num melhor momento. Na novela "As Filhas da Mãe", de Sílvio de Abreu e com direção de Jorge Fernando, Andréa interpreta uma das três filhas da matriarca Lulu de Luxemburgo, papel de Fernanda Montenegro.

"Adoro este trio. Além do mais, me identifico com este tipo de comédia que considero muito chique", elogia a atriz.

Embora tenha ficado um tempo afastada, Andréa garante que não estava ansiosa para retomar ao trabalho. Na verdade, o que se criou foi uma grande expectativa em torno da chance de participar de um projeto com um elenco repleto de estrelas, como acontece na novela de Sílvio de Abreu.

Mas nestes primeiros dois meses de trabalho, o que vem realmente chamando a atenção de Andréa é a parceria com Bete Coelho, que vive a Alessandra, irmã de Tatiana. Andréa nunca havia contracenado com Bete, que tem uma carreira teatral bem mais consolidada que na televisão. "É uma grande atriz".

As duas fazem mais de 90% das cenas juntas, já que Tatiana e Alessandra passam praticamente todo o tempo competindo para ver quem é melhor. Já o fato da novela vir patinando nos 30 pontos e não alcançar o trilho de 45 pontos estabelecido para o horário das 19 h, não preocupa a atriz. "É que a novela ainda está no início. Daqui a pouco, deslancha", imagina.

A expectativa da Globo era que "As Filhas da Mãe" mantivesse, pelo menos, a média de 38 pontos no Ibope alcançada pela antecessora "Um Anjo Caiu do Céu".

A atriz também encara com bom humor o fato de estar novamente interpretando uma vilãzinha. Ela, inclusive, garante não ficar preocupada com qualquer estigma. "Muito pelo contrário, as vilãs têm outras vertentes que podem ser exploradas, além de a gente se divertir muito mais", completa Andréa, que agora, com a novela em andamento, está se desligando da peça "A Memória da Água", de Felipe Hirsch -- em seu lugar, deve entrar a atriz Patrícia Pillar. "A peça vai começar a viajar. Então, infelizmente, não posso acompanhar", lamenta.

Para o próximo ano, ela já tem outros dois projetos: de atuar e produzir uma peça e fazer outro filme. No teatro, ela pretende montar o espetáculo "O Memorial do Convento", baseado na obra do escritor português José Saramago. No cinema, estará no filme "Vermelho 27", em que ainda assina o argumento.

Os dois trabalhos vão ter a direção do marido Maurício Faria. "Há algum tempo que estamos pensando em trabalhar juntos. Com o final da novela, vamos concretizar este objetivo", planeja Andréa, que já está em fase de captação de recursos para os dois projetos.

Instantâneas

# Andréa está casada com o diretor Maurício Faria há sete anos. Antes, foi casada com os diretores Guel Arraes e Rogério Gallo.

# Foi numa produção do Tablado, no Rio de Janeiro, escola de teatro coordenada na época por Maria Clara Machado, que Andréa iniciou a carreira de atriz. Ela tinha 12 anos.

# Aos 14 anos, Andréa participou do primeiro espetáculo profissional, baseado na vida e na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues.

# Em 1991, Andréa ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília pela atuação no filme "Vai Trabalhar Vagabundo 2", de Hugo Carvana.

Luiza Dantas/Carta Z
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