Guerra ao Terror
Dólar sobe quatro dias seguidos e chega a R$ 2,738
Comentários sobre a contínua elevação do índice de risco da Argentina e a possível demissão do ministro Domingo Cavallo rondam mercado financeiro
São Paulo (AE/AF)
A pressão sobre o câmbio continou ontem, refletindo a preocupação do mercado quanto ao agravamento da crise da Argentina. Para impedir a disparada das cotações, o BC (Banco Central) realizou dois leilões de títulos cambiais, mas, a exemplo do que ocorreu na quarta-feira, conseguiu apenas atenuar a alta da moeda. Num cenário em que o risco país da Argentina pulou de 1.754 para 1.864 pontos, o dólar subiu 0,55%, fechando em R$ 2,738. Foi a quarta alta seguida da moeda, que acumula valorização de 2,47% no mês e de 40,29% no ano.
Em quatro dias de outubro, o dólar subiu quatro vezes. De novo a crise político-econômica argentina serviu de pretexto para a pressão cambial. E novamente o governo tentou conter a escalada, mas a venda de títulos cambiais não evitou que o dólar fechasse em R$ 2,738.
Na primeira vez que o governo foi ao mercado, pela manhã, não chegou a um acordo com os investidores. Como o prazo de resgate dos papéis ofertados era em maio de 2004, os investidores só os aceitavam se o governo pagasse juros muito altos. Ninguém quer aceitar títulos que vençam após as eleições presidenciais de 2002.
Com a recusa, o governo fez nova oferta. Dessa vez, como as NTND-s (Notas do Tesouro Nacional, títulos que acompanham a variação do câmbio) venciam em maio de 2002, o mercado ficou com todo o lote de R$ 1 bilhão ofertado. Mesmo assim, a alta da moeda dos EUA ficou em 0,55%.
Marcelo Allain, diretor de fundos de investimentos do banco Inter American Express, diz que as medidas tomadas pelo Banco Central e a venda de títulos cambiais só podem aliviar o câmbio temporariamente.
E no mercado de câmbio a expectativa é que o fluxo de entrada [de dólares] piore."
Operadores afirmam que a presença de importadores no mercado pressionou a cotação da moeda norte-americana pela manhã, quando chegou a ser negociada por R$ 2,745, alta de 0,81%.
Os comentários sobre a contínua elevação do índice de risco da Argentina e a possível demissão do ministro Domingo Cavallo rondaram as mesas de câmbio dos bancos durante todo o dia, motivando a procura por dólares.
BOLSAS - A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve mais um dia de desvalorização. O Ibovespa fechou em baixa de 1,68%, somando 10.061 pontos. O volume de negócios totalizou R$ 491.537 milhões.
Nos EUA o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York fechou em queda de 62,90 pontos (0,69%), em 9.060,88 pontos. A mínima foi em 9.045,38 pontos e a máxima em 9.187,37 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 16,50 pontos (1,04%), em 1.597,31 pontos, com mínima em 1.581,08 pontos e máxima em 1.641,56 pontos.
As Bolsas de Valores européias e asiáticas fecharam ontem em alta.
ARGENTINA - O mercado de ações da Argentina fechou com o índice Merval em queda de 7,80 pontos (3,63%), em 206,75 pontos. O volume ficou em 11,4 milhões de pesos. Traders disseram que muitos investidores preferiram sair do mercado em busca de segurança, devido ao nervosismo que cerca as eleições parlamentares do dia 14 na Argentina.
DOLARIZAÇÃO - A Argentina viveu ontem mais um dia de histeria no mercado financeiro, com novo recorde de desconfiança e forte queda da Bolsa de Buenos Aires. Uma nova onda de boatos voltou a circular ontem, o que levou o presidente Fernando de la Rúa a ratificar, mais uma vez, a permanência de Domingo Cavallo no Ministério da Economia e negar planos para uma desvalorização do peso ou para uma moratória.
O chefe do Gabinete de Ministros, Chrystian Colombo, afirmou que o governo manterá a paridade entre o peso e o dólar, mas disse que "num caso extremo, haveria um custo menor numa dolarização que numa desvalorização".
Essa foi a primeira vez que algum membro do atual governo admitiu a possibilidade de dolarização da economia, que foi defendida pela equipe econômica do ex-presidente Carlos Menem (1989-99) no período final de seu governo.
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