BC diz que agência de risco cometeu erro
Brasília (AF)
O Banco Central diz que a agência de classificação de risco Standard & Poor's errou ao colocar o Brasil como o país da América Latina mais vulnerável a crises externas. Na terça-feira, a S&P divulgou relatório dizendo que seriam necessários US$ 80 bilhões para fechar as contas externas brasileiras no ano que vem. Por isso, o Brasil estaria na lista dos países latino-americanos mais atingidos pela turbulência no cenário internacional. Ontem, o BC divulgou sua estimativa para a necessidade de financiamento externo em 2002. Segundo a instituição, serão necessários US$ 47,4 bilhões, e não US$ 80 bilhões, como divulgou a S&P.
"Eles [a S&P] cometeram um erro", disse ontem o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer. A mesma opinião é compartilhada pelo diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn. "A situação é mais tranquila do que eles [da S&P] estão dizendo", afirmou Goldfajn.
Tradicionalmente, o BC só divulga previsões sobre as contas externas no final de cada ano. Gleizer disse que a divulgação antecipada dos números se devia a "uma porção de projeções, algumas bastante fora de propósito, que começaram a surgir no mercado".
Segundo Gleizer, as projeções da S&P consideram como gasto o total de dívidas de curto prazo (que vencem em menos de um ano) com vencimento em 2002. O diretor disse que isso não é correto porque essas dívidas não costumam ser efetivamente pagas, e sim renovadas. Por isso, não há envio real de dólares ao exterior.
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