Avião russo explode e mata 77
São Paulo (AF)
Um avião russo explodiu no ar e em seguida caiu no mar Negro, na Ucrânia, matando os 66 passageiros e os 11 tripulantes. O vôo, da Sibir Airlines, seguia de Tel Aviv, em Israel, para a cidade russa de Novosibirsk, na Sibéria (leste), com escala na Bulgária. Segundo o diário de Israel "Haaretz", 51 passageiros eram israelenses.
A causa da queda ainda não foi descoberta. Três hipóteses estão sendo analisadas para esclarecer o motivo da explosão. A primeira delas seria um míssil ucraniano que teria atingido o avião acidentalmente. Outra possibilidade seria um atentado terrorista. Por último, pode ter acontecido uma falha mecânica.
O governo dos EUA cogita como mais provável a primeira hipótese. Segundo fontes militares dos EUA, as Forças Armadas ucranianas estaria realizando exercícios militares em uma região próxima ao local onde explodiu o avião. E, ainda segundo militares dos EUA, pelo menos um míssil havia sido disparado.
No início, o governo da Ucrânia estava admitindo a possibilidade do disparo acidental do míssil. Um alto oficial da Marinha ucraniana, Igor Laricev, foi o primeiro a afirmar que um míssil teria causado a explosão. Porém, em uma declaração posterior, Kostintun Khivlemko, porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, negou que a queda do avião teria sido consequência de um míssil.
De acordo com Khivlemko, os mísseis utilizados nos exercícios militares têm um raio de alcance de 10 km, e as operações aconteceram a uma distância de mais de 300 km. Laricev, no entanto, havia dito antes que o raio de ação seria de 400 km, suficiente para atingir o avião.
Para o presidente russo, Vladimir Putin, a causa teria sido um atentado terrorista. Porém o líder da Rússia não deu explicações sobre o motivo de ele sustentar essa possibilidade. Essa foi a quinta vez que um avião do modelo do que caiu, o Tupolev TU-154, sofreu um acidente, O último foi em julho, na Sibéria, quando morreram 145 pessoas.
Rússia e Israel, países de destino e origem do vôo, são alvos constantes de atos terroristas. Os russos sofreram uma série de atentados no final dos anos 90, supostamente realizados por rebeldes islâmicos da Tchetchênia, região separatista no sul da Rússia. Israel enfrenta ações terroristas desde a sua criação, em 1948, e elas aumentaram bastante na atual Intifada, a revolta palestina contra a ocupação israelense, iniciada há um ano. Os israelenses que estavam no avião eram judeus de origem russa.
Porém, justamente por ser alvo de constantes atentados, o aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, é um dos mais seguros do mundo. Por razões de segurança, o governo israelense chegou a suspender todos os pousos e decolagens no aeroporto hoje. Depois do surgimento da teoria referente ao míssil, as operações no Ben Gurion voltaram ao normal.
O mais provável, caso realmente algum explosivo tenha causado a queda, é que ele tenha sido colocado dentro do avião em escala feita na cidade de Burgas, na Bulgária. Sabe-se que pelo menos um passageiro embarcou no avião durante a escala.
O piloto do vôo da Sibir Airlines afirmou em contato com a torre de controle do aeroporto da cidade de Novosibirsk que não havia problemas no avião. O quer que tenha ocorrido, aconteceu rapidamente, afirmaram as autoridades russas.
Garik Ovanisian, piloto de um avião armênio que voava nas proximidades, disse ter visto a explosão. "Vi o avião explodindo, a uma altura de cerca de 11 mil metros. Em seguida, caiu no mar Negro, onde ocorreu outra explosão. Depois formou-se uma grande mancha branca sobre o mar, creio que era óleo queimando", afirmou o piloto.
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que conversou com Putin e que ambos concordaram em trocar informações sobre a queda. A grande profundidade das águas do mar Negro pode dificultar a recuperação da caixa-preta com informações sobre o vôo.
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