Avião da FAB
Aeronáutica resgata mortos de acidente
Rio (AF)
A Aeronáutica conseguiu, no fim do segundo dia de buscas, localizar todos os corpos das vítimas do acidente com o avião C-130 Hércules, da FAB (Força Aérea Brasileira), ocorrido anteontem na serra da Tiririca, em Niterói, a 14 km do Rio.
De acordo com as informações fornecidas pelo comando da operação de resgate, os nove corpos foram localizados no fim da tarde de ontem.
Os restos mortais foram encontrados num raio de cerca de um quilômetro do local do acidente, em uma área isolada pela Aeronáutica no ponto conhecido como Pedra do Elefante.
A caixa-preta do C-130 Hércules foi localizada no início da manhã de hoje e enviada para análise ao Cenipe (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica), em Brasília.
De acordo com o tenente-coronel José Alberto Matos, que comandava as operações de busca, o estado da caixa-preta é razoável. "Sua análise deve esclarecer bastante coisa sobre o acidente", disse.
A Aeronáutica informou que quem pilotava o C-130 Hércules na hora do acidente era o capitão-aviador Alexandre Caldeira Coelho, de 36 anos. O co-piloto era o também capitão-aviador Luiz Gonzaga de Almeida Oliveira.
"Os dois eram experientes, pois voavam desde 1985. Conheciam bem o aparelho e a região onde ocorreu o acidente", disse o capitão Max Barreto, responsável por repassar as informações oficiais à imprensa.
O trabalho de perícia no local do acidente começou a ser realizado ontem por membros da Aeronáutica e da Polícia Civil. Os nove corpos foram levados para o Hospital Central do Exército, mas, até o fechamento o começo da noite, eles ainda não haviam sido identificados nem liberados.
"A Aeronáutica quer devolver os corpos às famílias na maior integridade possível", disse Barreto, admitindo que "é difícil saber de quem (os corpos) são", pois vários fragmentos estão espalhados ao redor do local do acidente.
O presidente da Frente de Defesa da Serra da Tiririca, o ambientalista Gerhard Sardo, afirmou que na segunda-feira vai dar entrada no Ministério Público Estadual com uma representação contra a FAB pelas degradações ambientais causadas na serra, que é considerada Área de Preservação Ambiental (APP).
"Cerca de dois mil metros quadrados de mata atlântica foram queimados e existe ainda o perigo de rolamento de pedras, provocado pelo impacto do avião na área rochosa", disse Sardo, que acompanhou os militares ao local no dia do acidente.
A reportagem procurou alguns familiares das vítimas anteontem, mas ninguém quis dar entrevistas. A dona-de-casa Madelon Rocha Bonfim, vizinha do sargento Márcio Chitarra, 33, que morreu no acidente, contou que sua mulher e seu filho, de 4 anos, viajaram para Barbacena (MG), onde pretendiam enterrá-lo. "Ele era uma pessoa muito querida. Todos na vizinhança ficaram chocados com a morte dele. Mas a paixão dele era voar, não tinha como ser de outro jeito", contou.
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