Público x Privado
Verba da PoloVale privilegia Grande SP
Maior fatia do dinheiro captado pela fundação com base na Lei de Informática exclui empresas da região
Raquel Vitorino
São José dos Campos
A Fundação PoloVale, de São José dos Campos, criada para fomentar o desenvolvimento tecnológico de empresas do Vale do Paraíba, acabou privilegiando firmas da Grande São Paulo nos contratos assinados com dinheiro captado por meio da Lei de Informática.
Com base no relatório de atividades da fundação em 2000, o ValeParaibano identificou 12 das 26 empresas beneficiadas pelo procedimento em 2000 e apenas uma tem sede na região.
Do total captado no período --R$ 5,3 milhões-- a Tecnosoft, instalada em Campos do Jordão, recebeu R$ 1,3 milhão para desenvolver projeto para a PoloVale. As outras empresas identificadas têm suas sedes na Grande São Paulo.
Os contratos foram firmados com dinheiro da lei que se transformou no principal alvo das investigações do Ministério Público nas contas órgão.
De acordo com a Lei de Informática que vigorou, por meio de decreto, até o final do ano passado, as empresas poderiam investir 2% do seu faturamento bruto --por meio de convênio-- em instituições de pesquisas e fundações para desenvolver projetos ligados à área de tecnologia.
Caso a fundação conveniada não tivesse pesquisadores especializados para desenvolver os projetos, ela poderia contratar outra instituição para realizá-los, de acordo com a Sepin (Secretaria de Política de Informática e Automação).
O órgão é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem como responsabilidade fiscalizar a aplicação dos recursos.
Entre as empresas que constam como contrato de mão-de-obra, está a Calibratec, de São Paulo, que recebeu R$ 28 mil no ano passado da fundação.
Ela realiza trabalho de calibração em equipamentos de medição para a Intermed, que foi uma das indústrias que aplicaram recursos da Lei de Informática na PoloVale, repassando R$ 515 mil em 2000.
"A PoloVale não trabalha conosco. Ela paga serviços que nós fazemos para a Intermed. Quem nos contratou foi a própria Intermed e não temos nada com a fundação, nunca tivemos contato", afirmou a assistente-administrativa Giovana Marino.
A reportagem do ValeParaibano procurou representantes da PoloVale ontem, mas ninguém quis comentar o assunto. Na sede da fundação, por volta das 16h, a reportagem foi informada que ninguém da direção estaria no prédio.
O diretor-presidente da entidade, José Eduardo Jendiroba Teixeira, se afastou do cargo para que fosse feita uma auditoria externa nas contas da PoloVale, que será acompanhada pela Promotoria.
O Ministério Público está investigando suposto desvio de dinheiro e malversação de fundos da PoloVale após representação encaminhada pelo ex-conselheiro Cristóvão Cursino.
A fundação mantém duas incubadoras, abrigando projetos de 18 empresas na cidade.
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