Meio Ambiente
Ecosistema tem pedido de desinterdição negado
Empresa de São José não convence Ministério do Trabalho
São José dos Campos
O Ministério do Trabalho manteve ontem à tarde a suspensão do recebimento de material contendo amianto e sílica pelo aterro da Ecosistema, em São José dos Campos, depois de uma vistoria feita a pedido da empresa.
A empresa fez uma simulação de despejo do material com funcionários usando equipamentos especiais e um caminhão-pipa para molhar as substâncias, que são cancerígenas.
Além do Ministério do Trabalho, participaram da vistoria representantes dos sindicatos dos Metalúrgicos, Construção Civil e dos Condutores. Ambientalistas e políticos também acompanharam a simulação.
A interdição foi feita no início da semana. A Ecosistema recebeu seis multas por irregularidades trabalhistas no valor de R$ 13 mil.
Entre as irregularidades constatadas estavam a falta de uso de máscara protetora pelos funcionários do aterro e a terceirização do serviço.
Ontem, a empresa apresentou equipamentos especiais --máscaras, óculos, protetores auriculares e luvas-- mas não convenceu o técnico do Ministério do Trabalho, que pediu para a Ecosistema fazer novas adequações.
"Verificamos que a empresa ainda coloca os funcionários em risco de contaminação. Pior, antes era só o motorista do caminhão que estava sujeito ao contágio e agora havia outros dois funcionários expostos", disse o presidente do Sindicato dos Condutores, José Carlos de Souza.
O presidente do Sindicato da Construção Civil, Antônio Santos do Nascimento, afirmou que umidecer o material não impediu o levantamento da poeira tóxica.
Os ambientalistas alegam que a poeira pode causar doenças aos moradores do bairro Capão Grosso, onde está localizada a Ecosistema.
O trabalho da Ecosistema tem sido alvo de polêmica desde março deste ano, quando o ValeParaibano denunciou o armazenamento de 3.000 toneladas de resíduos contendo sulfeto de mercúrio.
Segundo os técnicos do Ministério do Trabalho, a firma receberia os resíduos tóxicos contendo amianto e sílica da General Motors, Metalúrgica Ypê, Arvi, Ford e Volkswagem.
Os diretores da empresa não foram localizados ontem à noite após a realização da vistoria para comentar o assunto.
Flávio Pereira
|