Polêmica
O secretário de Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, determinou que a Polícia Militar não interfira mais em casos de topless nas praias do Rio. A resolução será publicada hoje no Diário Oficial do Estado.Quintal, que inicialmente mandara a polícia impedir que mulheres aparecessem com os seios à mostra em locais públicos, voltou atrás ontem depois de consultar subsecretários e integrantes da assessoria jurídica da Secretaria.
Anteontem, Quintal e o subsecretário de Segurança, Luiz Eduardo Soares --que é contra a repressão ao topless--, haviam divergido sobre o assunto, abrindo mais um desentendimento na cúpula da Segurança Pública.
O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), apóia o topless nas praias cariocas. Para Conde, uma cidade que inventou o fio dental e projetou Leila Diniz não pode reprimir o não uso do sutiã.
De acordo com o prefeito, os programas de auditório, com mulheres quase nuas, são muito mais agressivos do que o topless na praia. Ele citou como exemplo o programa apresentado por Gugu Liberato no SBT.
A polêmica sobre o topless no Rio surgiu quando Rosemeri Moura Costa, 34, foi presa no domingo porque não usava a parte de cima do biquíni.
O prefeito também é contra a criação de áreas específicas para a prática do topless, como chegou a ser sugerido pelo secretário de segurança Josias Quintal.
Na praia, as opiniões se dividem entre as mulheres. Os homens não pensam duas vezes quando falam no assunto. São sempre a favor e, de preferência, com a mulher dos outros. "O que é bonito tem de ser visto", afirmou o turista goiano Mário Queiroz, 40. "Sou a favor do topless na praia, mas a minha mulher, não, disse Alfredo Macedo, 42.
A consultora financeira italiana Sara Calabresi, 33, que estava ontem sem o sutiã em frente ao hotel Caesar Park (Ipanema, zona sul), estranhou a polêmica em torno do topless. "Até na Itália, que é a terra do papa, é permitido. Logo no Brasil, o país da bunda, as pessoas ficam escandalizadas", disse.
EUROPA - Foi no verão europeu de 1971 que o topless passou a ser aceito nas praias mediterrâneas da França. E não por reconhecimento dos direitos da mulher ou de um desdobramento da revolução sexual. Foi mais um modismo que se institucionalizou.
O fato é que no ano seguinte o hábito já era tolerável na Grécia, na Espanha e na Itália, sem que ao longo dos anos algum lobby mais puritano tenha conseguido limitá-lo ou proibi-lo.