O jornalista da TV Cultura André Ribeiro lançou ontem em São Paulo sua biografia de Leônidas da Silva, o primeiro rei indiscutível do futebol mundial ao encantar a Europa na Copa do Mundo de 1938, na França.
O "O Diamante Eterno" está à altura do craque e, sem exagero, está para Leônidas assim como "Estrela Solitária", de Ruy Castro, está para Mané Garrincha.
André Ribeiro inscreve-se na lista dos grandes biógrafos brasileiros, como o próprio Ruy Castro, Fernando Morais e Jorge Caldeira, para ficar só nos mais recentes.
De seu livro, que se lê como se fosse um romance, bem escrito e pesquisado, emerge um Leônidas multifacetado, um pouco de Pelé, outro pouco de Edmundo, uma pitada de Romário, outra de Mário Sérgio, mistura de gênio da bola com gênio do mau, talento e revolta, anjo e demônio, ídolo e maldito, generoso e mercenário, mito desvendado com sensibilidade e rigor.
O livro da editora Gryphus, do Rio de Janeiro, de 302 páginas, contextualiza o craque em sua época de maneira a revelar um futebol brasileiro de 70 anos atrás muito parecido, fora de campo, com o que temos ainda hoje.
Decisões de campeonatos atropelando o Natal, brigas de cartolas em prejuízo da seleção brasileira, bagunça, vaidades. Só não se vê, como hoje, corrupção.
Entre tantas curiosidades descritas na biografia de Leônidas, uma, ao menos, deliciará o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da revista "Veja", que duas semanas atrás nos presenteou com mais um fino artigo, desta vez sobre a mania brasileira de importar para o futebol bobagens, como os tais "playoffs" e a "assistência", ambos oriundos do basquete norte-americano.
Pois bem. Em 14 de setembro de 1931, à guisa de descrever uma partida entre um time carioca e um paulista, o jornal "A Gazeta" faz referência ao jogador Russo, "o melhor dos cariocas, sempre servido com as assistências de Leônidas e Teóphilo".
E nem existia a NBA! - embora assistência hoje em dia queira dizer mais do que passe, posto que é o passe que termina em ponto, ou em gol (argh).
André Ribeiro se apaixona por seu personagem, que hoje vive numa casa de repouso e praticamente sem memória, vítima do mal de Alzheimer, diabetes e câncer na próstata, aos 85 anos, e conduz o leitor à mesma paixão.
Porque escreveu um livro, de fato, apaixonante.