CorteO governador do Rio, Marcello Alencar (PSDB), decidiu dispensar o delegado Hélio Luz da chefia da Polícia Civil ontem pela manhã. À tarde fez críticas e elogios ao subordinado. Alencar disse que a exoneração foi "contra" sua vontade, mas atendendo a um dever. A decisão foi tomada em reunião de cinco minutos com o secretário de Segurança, Nilton Cerqueira, durante a inauguração de Central de Atendimento a Adolescentes infratores, no antigo prédio do Departamento de Ações Sócio-Educativas (Degase), no centro do Rio.
Alencar ficou irritado com a entrevista do ex-chefe de polícia, publicada ontem no jornal "O Globo", porque Luz sabia que o projeto de reestruturação da Polícia Civil seria enviado ontem à Alerj. Mesmo assim deu um ultimato ao governo. "Ele preferiu, dentro de seu estilo, fazer uma entrevista inaceitável, desafiadora", criticou.
CRÍTICAS E ELOGIOS - À tarde o governador afirmou que não dispensou antes Luz a pedido do próprio delegado e misturou críticas e elogios ao comentar o trabalho do ex-auxiliar. "Uma das vezes em que eu quase o demiti, brincando, disse que ele não era policial, era um político, que joga com o marketing e a mídia", reclamou Alencar, para em seguida definir o delegado como "um policial sincero, que diz as próprias mazelas". A contribuição dele, de acordo com o governador, foi importante para o plano de cargos e salários dos policiais civis, motivo de da crise que levou à demissão.
"Ele sai até contra a minha vontade, mas pela força de meu dever", admitiu Alencar, explicando que a demissão foi inevitável porque, como subordinado, Luz não podia fazer pressão contra o governador. "Ele desafiou não a mim, Marcello Alencar, desafiou o governador do Estado", declarou. "Se eu puder ser desafiado por um auxiliar, é melhor ir para casa."